A juíza Helícia Vitti Lourenço, da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, determinou que o caso envolvendo José Clóvis Pezzin de Almeida, investigado por um atropelamento e por destruir a frente do restaurante Haru, na Praça Popular, não seja julgado pelo Tribunal do Júri. Em ordem publicada nesta segunda-feira (27), a magistrada seguiu manifestação do Ministério Público, que concluiu não haver indícios de tentativa de homicídio doloso, mas sim de lesão corporal.
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O episódio ocorreu na madrugada de 24 de maio de 2025, na frente do restaurante, localizado no bairro Popular. Inicialmente, o inquérito policial apurava a suspeita de homicídio tentado já que ‘Marlon Pezzin’, como ele é conhecido, atropelou uma vítima. Na decisão, a juíza acolheu o entendimento do Ministério Público de que não há elementos que indiquem intenção de matar por parte do investigado.
Conforme os autos, houve um conflito generalizado no local, com agressões entre várias pessoas. O próprio investigado relatou que se envolveu em uma confusão dentro do restaurante e, ao deixar o estabelecimento, voltou a ser agredido. Segundo ele, ao tentar fugir da situação, entrou no carro e, durante a manobra, acabou atropelando a própria tia, que também tentava intervir no entrevero.
A magistrada destacou que as imagens e depoimentos colhidos durante a investigação não demonstram a presença de “animus necandi”, ou seja, a intenção de matar. O caso foi descrito como uma sequência de agressões recíprocas, com registro de lesões corporais entre os envolvidos.
Desta forma, a juíza determinou a redistribuição do processo ao Núcleo de Justiça 4.0 – Juiz das Garantias, afastando a competência do Tribunal do Júri perante a 12ª Criminal.
De acordo com o relatório policial, o investigado afirmou que estava no restaurante com a família quando ocorreu uma confusão no banheiro, que evoluiu para empurrões e agressões. Ele disse que foi retirado do local, mas voltou a ser agredido na área externa.
Ainda segundo o depoimento, ao tentar deixar o local, entrou no veículo e realizou uma manobra em meio ao tumulto, momento em que ocorreu o atropelamento. Ele declarou que agiu em pânico, negou uso de drogas e afirmou ter consumido apenas bebida alcoólica. Também relatou ter sofrido lesões durante as agressões.
O caso se soma a outros episódios envolvendo o ‘empresário’. Levantamento aponta a existência de pelo menos 24 processos em tramitação na primeira instância da Justiça de Mato Grosso, incluindo ações de cobrança, investigações por agressão e apurações relacionadas a tráfico de drogas e direção perigosa.
Entre os registros, há investigações por agressões, episódios de ameaça e conflitos em estabelecimentos noturnos, além de um acidente de trânsito ocorrido em 2024, que deixou o frentista Gabriel de Paula, que na época tinha 20 anos, internado em estado grave após uma colisão na Estrada da Guia. Também há ações judiciais por dívidas com cooperativas de crédito e empresas ligadas à atividade de garimpo.
Na ocorrência mais recente, além do atropelamento, houve danos à estrutura do restaurante, após o veículo conduzido por Pezzin atingir o deck do estabelecimento. A vítima atropelada foi encaminhada para atendimento médico.
Num dos processos que responde, o andamento mais recente é o pedido que ele fez à Vara Especializada de Violência Contra a Mulher, buscando autorização para realizar exame de sanidade mental no presídio Ahamenon Lemos Dantas, em Várzea Grande, em ação que é réu por espancar uma ex-namorada em 2022, na capital. Pezzin está preso em VG desde dezembro justamente por ter ameaçado e descumprido medidas protetivas expedidas em favor de uma outra companheira.