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Segunda-feira, 06 de abril de 2026

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Comando Vermelho

'Vaidade criminosa': membros de facção usavam matérias jornalísticas para celebrar roubos em Mato Grosso

Foto: Reprodução

'Vaidade criminosa': membros de facção usavam matérias jornalísticas para celebrar roubos em Mato Grosso
A Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), identificou um comportamento peculiar entre integrantes da facção Comando Vermelho (CV) durante a Operação Ruptura CPX. A investigação revelou que os suspeitos monitoravam a repercussão de suas ações na imprensa e compartilhavam notícias sobre os próprios delitos em grupos de mensagens, o que os investigadores classificaram como uma "vaidade criminosa característica".


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O grupo atuava de forma estruturada no Residencial Isabel Campos, em Várzea Grande, exercendo domínio territorial e praticando crimes como tráfico de drogas, roubos e lavagem de dinheiro.

A análise de dados extraídos de celulares apreendidos permitiu ao Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias de Cuiabá observar como o ego dos faccionados serviu de evidência contra o próprio grupo. De acordo com trecho da decisão do Tribunal, a “organização não apenas praticava os crimes, mas demonstrava uma vaidade criminosa característica: seus integrantes chegavam a enviar reportagens jornalísticas que noticiavam os roubos por eles cometidos”.

Para a magistrada Henriqueta Fernanda Chaves Alencar Ferreira Lima, essa conduta revela um profundo senso de impunidade, ao mesmo tempo em que constitui um elemento probatório relevante para confirmar a autoria das infrações.

O caso de "Gordinho"

Um dos investigados que mais personificou essa dinâmica foi Romário Ângelo Dias, vulgo "Gordinho". Especialista em roubos de veículos na região da capital, Romário não escondia sua satisfação com o sucesso das empreitadas ilícitas. Em registros de comunicações interceptadas, ele “vangloria-se ao afirmar ser um dos maiores ladrões de carros de Cuiabá”.

Em determinado momento da investigação, ao ter sua atuação questionada por comparsas, o suspeito reagiu reforçando sua "reputação" no submundo. Conforme detalhado no relatório policial, Romário demonstrou indignação e buscou provar seu valor enviando, “com orgulho e vanglória, reportagens jornalísticas relacionadas a roubos praticados por ele”. Tais mensagens foram trocadas diretamente com Antônio Luciano Galdino Santos, o "Ceará", apontado como o gerente da facção na localidade.

Para além da vaidade, a Operação Ruptura CPX expôs o nível de institucionalização da facção no Residencial Isabel Campos, conhecido como "Complexo". O grupo operava com uma hierarquia rígida e um léxico funcional próprio, utilizando termos como “disciplina”, “gerente” e “matrícula”. A governança sobre o território era tamanha que a permanência ou entrada de qualquer morador dependia de autorização prévia dos líderes.

Os faccionados também coordenavam a aplicação de "salves" e monitoravam a movimentação das forças de segurança, orientando a comunidade a avisar sobre a presença de viaturas. Em um dos registros, "Ceará" ordena que um comparsa mande mensagens aos moradores para que saiam às ruas e observem a atuação policial.

Diante das provas de habitualidade criminosa e periculosidade, a Justiça decretou a prisão preventiva de 13 alvos da operação, incluindo Romário Ângelo Dias e Odanil Gonçalo Nogueira da Costa, o MC Mestrão, este último responsável pela propaganda ideológica da facção por meio de músicas de apologia ao crime.

A magistrada fundamentou as prisões como necessárias para garantir a ordem pública, destacando que a liberdade dos investigados representa um risco concreto de reiteração delitiva. 
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