Olhar Jurídico

Quinta-feira, 02 de abril de 2026

Notícias | Criminal

CHACINA DE SORRISO

Condenado, feminicida que assassinou a mãe e filhas pede para trabalhar e estudar na cadeia e juiz remete caso à administração penitenciária

Foto: Reprodução

Condenado, feminicida que assassinou a mãe e filhas pede para trabalhar e estudar na cadeia e juiz remete caso à administração penitenciária
O juiz Geraldo Fernandes Fidelis Neto, da Vara de Execuções Penais de Cuiabá, negou reconhecer a prescrição do crime de furto em face de Gilberto Rodrigues dos Anjos, o “monstro de Sorriso”, condenado a 225 anos pela chacina que ceifou a vida de Cleci Calvi Cardoso, de 46 anos, e suas três filhas: Miliane Calvi Cardoso, de 19 anos, Manuela Calvi Cardoso, de 13 anos, e Melissa Calvi Cardoso, de 10 anos. Na mesma ordem, publicada nesta segunda-feira (1), o magistrado remeteu à administração penitenciária o pedido para que Gilberto pudesse trabalhar ou estudar na Penitenciária Central do Estado (PCE).


Leia mais: STJ rejeita reclamação de Julio Campos sobre disputa de dívida que pode levar fazenda de R$ 30 milhões a leilão

Reconhecimento da prescrição retroativa foi rejeitada sob o fundamento que o prazo legal de quatro anos não foi atingido devido aos marcos interruptivos e ao período em que o processo ficou suspenso enquanto o réu estava foragido. Isso porque ele a decisão de pronúncia foi proferida em janeiro de 2025 configurando novo marco interruptivo. Posteriormente, a sentença condenatória foi proferida em maio 2025, reiniciando-se, a partir de então. Neste processo, além de furto, ele também responde por latrocínio cometido em Mineiros (GO).
 
Quanto aos pleitos de acesso a trabalho e educação, como a participação no Enem, o Ministério Público se manifestou favorável, mas o juiz declarou que essas medidas dependem da análise técnica da administração penitenciária, não cabendo ao Judiciário interferir nessa gestão direta. Na mesma ordem, Fidelis estabeleceu o regime fechado para a continuidade do cumprimento da pena após a unificação das condenações.

“Notadamente, a inserção de pessoa privada de liberdade em atividades de trabalho ou estudo demanda uma análise específica por parte da direção do estabelecimento prisional, que deve observar critérios de aptidão, ressocialização e, sobretudo, a segurança da unidade e do próprio recuperando, o que há de ser aferido pelas equipes psicossociais da unidade. Logo, trata-se de uma prerrogativa da administração penitenciária, que detém o conhecimento da realidade carcerária, da logística interna e do perfil de cada penitente”, nos temos da ordem.

Em agosto do ano passado, Gilberto foi condenado a 225 anos de prisão pelos crimes de estupro, estupro de vulnerável e feminicídio contra Cleci e as filhas.

O crime ocorreu na madrugada dos dias 24 2 25 de novembro de 2023, na cidade  de Sorriso (420 km de Cuiabá), mesmo local do julgamento, onde Gilberto invadiu a residência das vítimas e cometeu os assassinatos. Os corpos foram encontrados somente na manhã do dia 27, com sinais de violência sexual — com exceção da menina de 10 anos — e múltiplas lesões.

Na época, o réu trabalhava e residia em uma obra ao lado da casa da família. O pai e esposo das vítimas estava em viagem a trabalho. Gilberto foi preso pela Polícia Civil logo após a descoberta dos corpos e confessou os crimes em depoimento.
Entre em nossa comunidade do WhatsApp e receba notícias em tempo real, clique aqui

Assine nossa conta no YouTube, clique aqui

Comentários no Facebook

Sitevip Internet