A juíza Alethea Assunção Santos, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, manteve o sequestro imposto a um apartamento de R$ 170 mil, situado na capital, possivelmente usado pelo membro do Comando Vermelho Emerson Ferreira Lima, o “Gordão”, para esconder o dinheiro obtido pela facção. Ordem foi proferida nesta quarta-feira (18).
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A irmã de Gordão sustentou ser legítima proprietária do apartamento, situado no Residencial Monte Carlo, afirmando que a compra ocorreu por meios lícitos antes do período das investigações contra seu irmão por lavagem de dinheiro do tráfico.
No entanto, a juíza rejeitou o pedido liminar anotando que a titularidade formal não comprova, por si só, a origem lícita dos recursos financeiros utilizados. Desta forma, manteve a restrição para evitar a ocultação de patrimônio por laranjas, destacando que a moradora não corre risco imediato de despejo, uma vez que ainda reside com o marido no local.
Assim, o processo seguirá para a fase de instrução probatória com a manifestação obrigatória do Ministério Público antes de uma sentença definitiva.
O Ministério Público do Estado de Mato Grosso denunciou Emerson Ferreira Lima, conhecido pelos apelidos “Gordão”, “GD” e “Gordinho”, por tentativa de embaraço às investigações de uma organização criminosa. Ele foi preso durante a Operação Tempo Extra, desdobramento da Apito Final, acusado de integrar um esquema de lavagem de dinheiro oriundo do tráfico de drogas e armas ligado ao Comando Vermelho.
Quando foi alvo da Apito Final, Emerson fugiu para o Rio de Janeiro e passou a viver na favela da Rocinha, uma das principais bases da facção criminosa.
Na operação mais recente, ele era alvo de mandado de busca e apreensão. Ao perceber a chegada da polícia em sua residência, Emerson tentou destruir dois celulares para impedir que fossem apreendidos e periciados, o que resultou em prisão em flagrante.
Segundo a Polícia Civil, há fortes indícios de que Emerson exerça posição de liderança no Comando Vermelho. Ele também ostentaria um padrão de vida de luxo incompatível com sua renda declarada, o que reforça as suspeitas de lucros ilícitos.
Durante a operação, os policiais apreenderam joias, relógios, perfumes importados, veículos e outros objetos de alto valor.
A Operação Tempo Extra é um desdobramento da Apito Final, deflagrada em 2024, e teve como objetivo desarticular a atuação da facção, tendo sido cumpridas 15 ordens judiciais, entre prisão preventiva, buscas e apreensões, sequestro de veículos, suspensão de atividade de empresa de fachada e bloqueio de R$ 1 milhão em contas bancárias.