A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, em sessão virtual com encerramento previsto para esta sexta-feira (13), manter a prisão preventiva de Andreson de Oliveira Gonçalves. O colegiado seguiu o voto do relator, ministro Cristiano Zanin, que negou recursos da defesa contra a revogação da prisão domiciliar humanitária do investigado. A decisão baseou-se em novos laudos médicos que indicam que o réu teria forjado um estado de saúde grave para deixar a cadeia.
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Andreson de Oliveira Gonçalves é apontado como peça central em um complexo esquema de venda de decisões judiciais em diversos tribunais. As investigações indicam a prática de crimes como corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional e exploração de prestígio. Ele foi preso originalmente em 26 de novembro de 2024.
Em julho de 2025, o ministro Zanin havia concedido o benefício da prisão domiciliar por razões humanitárias. A medida foi tomada após um laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontar que o investigado sofria de uma "doença de evolução rápida e grave", caracterizada por perda severa de peso.
A situação mudou após uma representação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que apresentou indícios de que o investigado teria provocado voluntariamente a perda de peso para enganar a Justiça. Um novo exame, realizado por peritos da Polícia Federal, revelou que Andreson ganhou 13,5 kg em apenas três meses de prisão domiciliar, sem realizar qualquer tratamento específico.
Os peritos classificaram o comportamento como metassimulação, termo jurídico e médico para quando um paciente exagera problemas reais para obter benefícios. Além disso, gravações ambientais na Penitenciária Federal de Brasília reforçaram a tese de uma estratégia deliberada para forçar a transferência ou a liberdade.
Outro ponto determinante para a manutenção da prisão foi a conduta de Andreson durante o período em que esteve em casa. Ele solicitou urgência para trocar sua tornozeleira eletrônica, alegando inchaço nas pernas, mas deixou de comparecer à unidade de monitoramento por mais de um mês após a autorização judicial.
A defesa também pleiteava a transferência do investigado para um presídio estadual, alegando riscos à sua integridade física por ameaças de facções criminosas. O pedido foi negado, uma vez que a própria defesa apresentou versões contraditórias sobre essas ameaças ao longo do processo.
Atualmente, Andreson está custodiado na Penitenciária Federal de Brasília, onde recebe assistência médica, psicológica e dieta hipercalórica supervisionada por nutricionistas. O Tribunal entendeu que a estrutura federal é capaz de garantir a dignidade e a saúde do preso enquanto o processo prossegue.
Além de Zanin, votaram pela manutenção da prisão os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cármen Lúcia.