A 7ª Vara Criminal de Cuiabá autorizou a venda antecipada de cinco veículos sequestrados judicialmente no âmbito da "Operação Falso Profeta", investigação que apura atividades de uma organização criminosa em Mato Grosso. A decisão, assinada pelo juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, visa evitar a perda de valor dos bens, que, apesar de bloqueados judicialmente, continuam circulando de forma irregular.
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A Operação Falso Profeta teve como objetivo desarticular um esquema de extorsão e lavagem de dinheiro praticado por uma facção criminosa contra estabelecimentos comerciais que atuam na distribuição de água mineral em Cuiabá e Várzea Grande. O alvo principal da operação, identificado como líder da facção criminosa e mentor do esquema, era um pastor de uma igreja no bairro Pedra 90, em Cuiabá. Por meio do esquema criado pela facção, proprietários de estabelecimentos comerciais eram ameaçados para que adquirissem galões de água fornecidos apenas pelo grupo criminoso, além de pagar a taxa de R$ 1 por galão vendido.
A medida de alienação antecipada foi solicitada pela Polícia Civil, por meio da Coordenadoria de Informações Financeiras e Recuperação de Ativos (CIFRA). Segundo as investigações, o sistema de monitoramento de vias públicas e a base nacional de dados identificaram que os veículos, bloqueados desde outubro de 2025, ainda estão em uso, inclusive fora do estado de Mato Grosso.
A lista de bens que irão a leilão inclui dois caminhões (Volvo/VM 260 e Iveco/Tector 240E25), dois utilitários (Hyundai/HR HDB e Renault/Master) e uma motocicleta (Honda/Biz 125).
Para fundamentar a decisão, o magistrado destacou que a manutenção dos veículos sob posse de terceiros ou circulando livremente coloca em risco a utilidade da apreensão.
Além do risco físico, a Justiça considerou a desvalorização financeira natural dos automóveis, estimada em cerca de 20% ao ano. O magistrado ressaltou que a venda é a forma de “preservar o respectivo valor dos bens apreendidos que, pela ação do tempo, vêm sofrendo depreciação natural”, conforme trecho da decisão da 7ª Vara Criminal de Cuiabá.
Como os veículos ainda não foram localizados fisicamente pela polícia, o juiz expediu novos mandados de busca e apreensão. A Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (DRACO) tem o prazo de 10 dias para apresentar um relatório detalhado sobre a situação e a localização exata de cada bem.
O montante arrecadado com o leilão será depositado em uma conta judicial vinculada ao Fundo Especial da Polícia Judiciária Civil (FUNDEPOL/MT). O dinheiro permanecerá sob custódia da Justiça até o julgamento final do caso.
Se ao final do processo os réus forem condenados, os valores serão convertidos em renda para o Estado. Por outro lado, em caso de absolvição, o montante será devolvido aos proprietários com as devidas correções financeiras.