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Quinta-feira, 02 de abril de 2026

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OPERAÇÃO DATAR

Habitualidade criminal, liderança e condenações: acusado de usar a mãe para lavar R$ 21 milhões do tráfico, DJ é mantido preso

Foto: Reprodução

Habitualidade criminal, liderança e condenações: acusado de usar a mãe para lavar R$ 21 milhões do tráfico, DJ é mantido preso
O desembargador Wesley Sanchez Lacerda, do Tribunal de Justiça (TJMT), manteve a prisão preventiva do DJ condenado Patrike Noro de Castro, em ação proveniente da Operação Datar, que o acusa de ser uma das lideranças de quadrilha que usava laranjas e empresas fantasmas para lavar milhões provenientes do tráfico de drogas em Cuiabá. Conforme os autos, Noro teria movimentado mais de R$ 21 milhões, inclusive usando a própria mãe como laranja.


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Em ordem proferida na semana passada (2), o desembargador examinou pedido de extensão de liberdade feito pela defesa de Noro, após seu principal comparsa, o também DJ Diego Lima Datto conseguir liberdade provisória. O advogado deles sustentou que a situação processual de ambos seria idêntica, o que deveria culminar na revogação da prisão de Patrike.

O magistrado argumentou, no entanto, que os dois possuem situações jurídicas distintas, destacando que Patrike apresenta um histórico criminal extenso, com condenações prévias e processos ativos por tráfico de drogas. Na ordem, Sanchez citou todos os processos penais que Noro ostenta, ressaltando condenações, já transitadas em julgado, por tráfico de drogas, sendo uma a seis anos e a outra a um. Além disso, ele já foi alvo de diversas operações, sendo uma delas por comercializar mercúrio para garimpos ilegais, documento falso, e estelionato.

Diferente de Diego, a periculosidade de Patrike foi considerada elevada, justificando a manutenção da custódia para garantir a ordem pública, sobretudo por figurar como líder da associação criminosa, mas também por executar movimentações financeiras individuais, inclusive em nome da própria mãe.

Antes disso, Sanchez já tinha sido relator de outro habeas corpus manejado em favor de Noro, o qual também fora negado. Na ocasião, o relator anotou a gravidade concreta das condutas, envolvendo a movimentação ilícita de mais de 21 milhões de reais, reforçando ainda que o histórico de reiteração delitiva do réu (condenado por associação para o tráfico, por compartilhar pornografia e que responde por outros crimes) e a inexistência de fatos novos justificam a manutenção do cárcere para a garantia da ordem pública.

“No período compreendido entre 1º de janeiro de 2015 e 19 de dezembro de 2023, Patrike movimentou e transferiu, entre créditos e débitos em contas bancárias de sua titularidade, o montante total de R$ 21.803.191,42 (vinte e um milhões, oitocentos e três mil, cento e noventa e um reais e quarenta e dois centavos), dos quais R$ 166.725,33 foram operados em comunhão de esforços com sua genitora, no período de 02 de outubro de 2019 a 19 de dezembro de 2023, por meio de transações estruturadas, fracionadas e desprovidas de causa econômica legítima”, diz trecho do processo.

Datar foi deflagrada pela Polícia Civil em agosto de 2025. Noro e seu principal comparsa, o também DJ Diego Datto, já foram presos em outras ocasiões pelos mesmos motivos. A ofensiva foi desencadeada para desarticular um complexo esquema criminoso voltado à lavagem de dinheiro oriundo do tráfico de drogas.  As investigações apontam que os membros do grupo criminoso movimentavam valores que ultrapassam R$ 185 milhões relacionados à atividade do tráfico.

Ao todo, 7 pessoas foram presas, entre eles o DJ Diego de Lima Datto, apontado com um dos chefes, e Thiago Massashi Sawamura, conhecido como “Japonês”, que já havia sido preso na Operação Doce Amargo, voltada também ao tráfico de drogas. 

Foram detidos na ofensiva Diego Datto de Lima Carro, Patrike Noro de Castro, Jackson Luiz Caye, Marco Antônio Santana, Lucas Goudinho e Gonçalves, Thiago Massashi Sawamura e Rafael de Geon de Sousa.

Durante as investigações da Operação Datar, constatou-se que diversos alvos da operação, incluindo familiares, movimentavam valores expressivos por meio de contas próprias, sem qualquer lastro documental ou origem lícita comprovada. Datto, inclusive, usava o nome do pai, mãe, e ex-esposa para limpar o dinheiro sujo.

Parte dos recursos eram fracionados em pequenas quantias e transitavam entre contas de pessoas físicas e jurídicas, com o objetivo de ocultar e dissimular a real origem do dinheiro.
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