O Ministério Público de Mato Grosso (MPE) apresentou as alegações finais no processo que apura a morte de Rozeli da Costa Sousa Nunes, ocorrida em 11 de setembro de 2025, no bairro Canelas, em Várzea Grande. No documento, o promotor de Justiça César Danilo Ribeiro de Novais solicita a pronúncia dos réus Raylton Duarte Mourão e Vitor Hugo Oliveira da Silva. A pronúncia é uma decisão judicial que confirma a existência de indícios suficientes de autoria e materialidade, determinando que os acusados sejam julgados pelo Tribunal do Júri. Raylton é policial militar em Mato Grosso.
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De acordo com as investigações, o homicídio foi motivado por vingança. Raylton Duarte Mourão estaria insatisfeito com uma ação de reparação de danos materiais e morais movida pela vítima contra ele, após um acidente de trânsito envolvendo um veículo da empresa de sua família.
Na manhã do crime, por volta das 6h30, Raylton teria surpreendido Rozeli enquanto ela estava em seu carro, estacionado em via pública, e efetuado disparos de arma de fogo. Conforme trecho das alegações finais do Ministério Público, o acusado agiu “movido por sentimento de vingança decorrente da ação”.
O segundo réu, Vitor Hugo Oliveira da Silva, é acusado de atuar como piloto da motocicleta utilizada na ação. Segundo o Ministério Público, ele teria recebido uma promessa de recompensa em dinheiro para conduzir Raylton até o local, monitorar a vítima e garantir a fuga. Investigações apontam que a dupla monitorou a residência de Rozeli por horas antes da execução e que a motocicleta já havia sido vista rondando a região cerca de um mês antes do crime.
Durante a fase de investigação policial, ambos confessaram a participação. Raylton alegou, na época, estar em estado de descontrole emocional e que ouvia vozes que o ordenavam a praticar o ato. Vitor Hugo confirmou ter recebido R$ 350 e um aparelho celular pela colaboração.
No entanto, ao serem interrogados em juízo, os réus mudaram suas versões: Raylton negou o crime alegando coação policial, e Vitor Hugo afirmou que recebeu dinheiro apenas para assumir falsamente a culpa.
Além do homicídio qualificado, os réus respondem pelo crime conexo de porte ilegal de arma de fogo. O Ministério Público requereu a manutenção da prisão preventiva de ambos para a garantia da ordem pública.