O ministro Reynaldo Soares da Fonseca, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), manteve Alexandre Henrique Carvalho preso preventivamente no âmbito da Operação Tertius, que desarticulou uma quadrilha especializada em aplicar golpes na internet, causando prejuízo superior a R$ 2 milhões a vítimas em diferentes bairros de Cuiabá. Em ordem proferida na última sexta-feira (30), o ministro considerou fatos novos colhidos pelas investigações, que apontaram Alexandre como membro ativo do Comando Vermelho mesmo após a prisão.
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A custódia preventiva foi mantida pelo ministro devido a indícios de que o paciente integra a facção Comando Vermelho, atuando em uma rede sofisticada de estelionato eletrônico e lavagem de dinheiro com alcance nacional. A defesa contestou a prisão alegando falta de provas atuais e fundamentação genérica, porém o ministro relator entendeu que a periculosidade social e o risco de reiteração delitiva justificam a medida extrema.
O magistrado destacou que a continuidade das atividades ilícitas e movimentações financeiras do grupo até 2025 afasta a tese de ausência de contemporaneidade dos fatos. Por fim, reforçou a via do habeas corpus não permite o exame aprofundado de provas de autoria, validando a manutenção da prisão para garantia da ordem pública.
“O decreto prisional não se apoia exclusivamente em diálogos de 2022, mas também em elementos probatórios atualizados até março e abril de 2025, que demonstram a continuidade das fraudes eletrônicas, com a veiculação de novos anúncios fraudulentos em plataformas digitais, bem como a persistência de movimentações financeiras atípicas do grupo. Tal contexto evidencia a atualidade do periculum libertatis e afasta, de modo cabal, a tese defensiva de ausência de contemporaneidade”, decidiu o ministro.
A ofensiva foi desencadeada em agosto de 2025. A investigação, conduzida pela Delegacia de Estelionato de Cuiabá, começou em julho de 2022, a partir de uma denúncia anônima sobre uma residência no bairro CPA 3, que funcionava como “escritório” para a prática de fraudes.
No local, os criminosos atuavam principalmente no chamado “golpe do falso intermediário”, comum em plataformas de compra e venda online.
De acordo com a Polícia Civil, o grupo era altamente estruturado e contava com divisão clara de funções. Ficou comprovada a prática dos crimes de fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e organização criminosa, além de indícios de ligação com uma facção criminosa.
O modus operandi consistia em copiar anúncios legítimos de veículos publicados em plataformas como OLX e Facebook Marketplace. Com as fotos e descrições originais, os criminosos criavam anúncios falsos, oferecendo os automóveis por valores ligeiramente abaixo do mercado para atrair compradores.
O contato com as vítimas era feito pelo WhatsApp, com uso de identidades fictícias e narrativas convincentes. A consumação do golpe ocorria quando os interessados realizavam transferências via PIX para contas de terceiros (“laranjas”), dificultando o rastreamento do dinheiro. Após o recebimento, os criminosos encerravam qualquer comunicação.