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Quinta-feira, 02 de abril de 2026

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ESQUEMA NO FUTEBOL AMADOR

Responsável por lavar milhões diariamente para as "bets do CV", ex-servidor de VG é mantido preso pelo TJ

Foto: Reprodução

Responsável por lavar milhões diariamente para as
O Tribunal de Justiça (TJMT) manteve a prisão preventiva do ex-gerente de uma policlínica em Várzea Grande, Renan Curvo da Costa, alvo da Operação “Ludus Sordidus”, acusado de ser o responsável por organizar os balancetes semanais da Gol Bet, uma das bancas de apostas ilegais e controlar a contabilidade dos repasses do Comando Vermelho. Segundo a polícia, Renan administrava o setor financeiro ao lado de outros dois comparsas. As reuniões eram realizadas em um grupo de WhatsApp, onde os criminosos discutiam e analisavam os balanços semanais.


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Em sessão de julgamento realizada na semana passada (9), a Primeira Câmara Criminal da corte, por unanimidade, negou habeas corpus manejado por Renan, que buscava liberdade provisória mediante o cumprimento de medidas alternativas à prisão, como tornozeleira, alegando que é primário e tem bons antecedentes, bem como falta de contemporaneidade entre os fatos investigados e a prisão.

Examinando o caso, o desembargador relator Marcos Machado rechaçou os argumentos de Renan, reforçando a legalidade da prisão preventiva. Na ordem, Machado destacou a posição de liderança ocupada por Renan, que atuava com extrema importância no núcleo financeiro da organização criminosa, movimentando milhões de reais diariamente, com indícios de ocultação de valores ilícitos e lavagem de dinheiro.

“No tocante às medidas cautelares, verifica-se que o paciente seria “responsável pela contabilidade da banca de apostas GOL BET, incumbido da elaboração e apresentação dos balancetes semanais referentes aos lucros auferidos”, a qual tem como seu objetivo a “lavagem de dinheiro oriundo das atividades ilícitas praticadas pela organização criminosa”, conforme destacado na denúncia”, diz trecho do acórdão. Com a negativa ao habeas corpus, o Tribunal manteve Renan preso preventivamente.

Em uma das conversas interceptadas pela polícia, Renan demonstrou preocupação com a disputa interna entre grupos que coordenavam as bancas de apostas ilegais. Ele citou que os atritos eram causados por um morador do bairro Santa Izabel, que estaria liberando apostas de forma desordenada:

“Já me ligaram aqui perguntando se eu tô fazendo jogo pra Xinzinho. Eu falei: mano, nem fazendo jogo eu tô mais. Deve ser pipoco lá do Santa Izabel, porque lá tá liberado. Ele mora lá, mas tem cliente em outros bairros. Falei: cara, nós não atrapalha vocês em nada, pô. Tem para isso essas intrigas com nós? Somos todos uma família só”, disse Renan em áudio interceptado.

As investigações revelaram ainda que Renan lucrava 30% do balanço final do site, enquanto Sebastião Lauze, o Vovô e líder do grupo, ficava com 10% de todas as apostas realizadas na plataforma.

Olhar Direto teve acesso à lista completa dos alvos da Operação “Ludus Sordidus”, incluindo braços direitos da facção criminosa que utilizava o futebol amador para lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas em Cuiabá. A reportagem já havia antecipado os nomes principais, apontados pela polícia como líderes do esquema criminoso. Veja todos os nomes no fim da matéria.

As investigações começaram em dezembro de 2023, após a interrupção de uma reunião comunitária no bairro Jardim Liberdade, em Cuiabá. Na ocasião, integrantes da facção encerraram o encontro sob ameaças, em uma clara demonstração de poder.

Segundo a polícia, a motivação teria sido política, já que a irmã de um dos investigados era pré-candidata a vereadora. A reunião foi interpretada como um ato político devido à presença de um secretário de Estado.

A partir desse episódio, a GCCO/Draco instaurou inquérito e conseguiu identificar a atuação de um núcleo do Comando Vermelho estruturado para o tráfico de drogas e outros crimes na região do Osmar Cabral, Jardim Liberdade e bairros adjacentes.

As investigações apontam que o time de futebol amador mantido pela facção funcionava como fachada para lavar a imagem dos criminosos e criar vínculos com a comunidade. Em troca de apoio e favores, os líderes conseguiam exercer influência e consolidar sua autoridade sobre os moradores.

Ao todo foram cumpridos oito de busca e apreensão, 10 mandados de prisão preventiva, oito de sequestros de imóveis, 12 sequestros e bloqueios de contas e valores no valor de mais de R$ 13,3 milhões. 
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