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Sexta-feira, 03 de abril de 2026

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EMPRESAS FANTASMAS EM CUIABÁ

Porsche, BMW, Volvo, motos e R$ 1 milhão: juiz bloqueia bens e valores de ex-PM e grupo acusado de lavar milhões com agiotagem

Foto: Reprodução / Ilustração

Porsche, BMW, Volvo, motos e R$ 1 milhão: juiz bloqueia bens e valores de ex-PM e grupo acusado de lavar milhões com agiotagem
Porsche V6, BMW, motos de altas cilindradas, Camaro, carrões e R$ 1 milhão: o juiz Moacir Rogério Tortato bloqueou bens móveis, imóveis e valores em nome do ex-policial militar Tiago Alves da Silva e dos seus comparsas – grupo acusado de integrar esquema de agiotagem e lavagem de dinheiro que movimentou dezenas de milhões em Cuiabá e Várzea Grande mediante cobranças abusivas e empresas “fantasmas”.


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Tiago Alves da Silva é apontado como o líder da organização e, segundo as investigações, centralizava as atividades e empregava familiares próximos, como seu irmão, Ecclesiastes Alves da Silva, e sua tia, Maria Aparecida de Freitas, para figurar como sócios formais de diversas empresas. Entre as pessoas jurídicas constituídas para o esquema, citadas na decisão, estão a TS Incorporação Ltda., a TS Soluções Cred Empresa Simples de Crédito Ltda., Alves e Freitas Ltda., Silva Multimarcas e Silva Lavacar.

Conforme relatórios técnicos, essas empresas não possuíam sede física compatível com suas declarações cadastrais e funcionavam exclusivamente como instrumentos de dissimulação patrimonial. A TS Incorporação Ltda., que tem Ecclesiastes como sócio-administrador, movimentou, entre 2020 e 2022, R$ 8.079.606,77 em créditos e R$ 8.078.961,37 em débitos, sem que houvesse qualquer atividade operacional para justificar esse volume financeiro.
 
A TS Soluções Cred Empresa Simples de Crédito Ltda., também administrada por Ecclesiastes e com participação de capital de Tiago, movimentou, entre 2017 e 2022, R$ 7.314.463,76 em créditos e praticamente o mesmo valor em débitos, revelando uma circularidade financeira atípica. O mesmo padrão foi identificado na empresa Alves e Freitas Ltda., que, entre 2021 e 2022, movimentou R$ 13.823.751,10 em créditos e R$ 13.798.485,35 em débitos.
 
As investigações constataram que Tiago Alves da Silva mantinha um patrimônio expressivo e incompatível com sua remuneração como policial militar. Foram identificados 18 veículos automotores de luxo em seu nome, incluindo modelos como Chevrolet Camaro, Volvo XC60 e BMW, com valor total aproximado de R$ 1.331.797,00. Todos esses bens foram bloqueados.

Em nome dos demais alvos e das empresas fantasmas, o juiz também indisponibilizou uma série de motocicletas, carros de alto e médio padrão, e imóveis em Cuiabá e Várzea Grande, como Toyotas Corollas, Honda Hornet, CB 300, Camaro, Caminhonetes, etc.

Para executar as cobranças, os agiotas agiam com violência, sendo este o ponto comum entre todas as acusações. Dilemir Lima Santos e Abrantes Campos Martins Júnior são apontados como os principais executores de atos violentos. Dilemir é citado como um dos "capangas" de Tiago, participando de episódios de cárcere privado. Já Abrantes Júnior é descrito em boletins de ocorrência por sua conduta agressiva em cobranças presenciais, inclusive contra um policial federal.
 
A estrutura montada para lavar os milhões obtidos com os atos de violência também foi examinada pelo magistrado. Para ocultar a origem ilícita do dinheiro, o grupo contava com uma sofisticada com o contador Victor Hugo Lucas Silva, identificado como peça fundamental, sendo o responsável pela abertura e escrituração de pelo menos oito empresas de fachada do grupo, todas registradas em endereços residenciais ou fictícios.
 
A movimentação financeira era pulverizada por vários operadores, possivelmente laranjas. Jairo Rodrigo de Pinho, primo de Tiago, atuava como operador financeiro, utilizando sua empresa, a Celeiro Beer, para circular e fragmentar quantias. Posteriormente ele alterou o nome da companhia para Boteco 40 Graus Ltda. Ele foi responsável por repassar quase R$ 404 mil para Tiago em 97 transações distintas. Nilson Moraes de Aguiar, cabo da PM, movimentou sozinho mais de R$ 2,3 milhões em suas contas, usando duas empresas em nome de sua mãe para isso.
 
O grupo se utilizava de interpostos para ocultar bens. Wilson Alves de Souza possuía procuração com amplos poderes outorgada por Tiago, permitindo que negociasse veículos e movimentasse valores em seu nome. Vanessa da Silva Souza, ex-companheira de Tiago, aparecia como titular de 22 veículos, realizando negociações circulares com o líder para lavar o capital. Mário Sérgio de Oliveira, soldado PM, atuava na blindagem patrimonial, controlando a empresa Urban Store e registrando bens de luxo incompatíveis com sua renda. Sua irmã, Rafaela Cristina de Oliveira Santos, era sócia-administradora desta mesma empresa, servindo como interposta para o registro de bens.

Outros policiais militares também integravam o esquema. Pedro Antônio Norato Victor criou a VSF Empresa Simples de Crédito, que movimentou R$ 1,7 milhão, usando o mesmo contador das empresas de Tiago. Jonny Zielasko Júnior mantinha intensas transações financeiras com outros PMs investigados, como Mário Sérgio e Nilson Moraes.

Mesmo durante as investigações, o grupo continuou se expandindo. Wictor Hugo Gomes Bonomo foi alçado a sócio-interposto das empresas TS Incorporação e da mais recente, TW Incorporação Ltda., demonstrando a continuidade do método de ocultação. Matheus de Lara Arguelho, sócio de Oberdann na empresa de fachada "Rota Empresa de Crédito", criou novas empresas no mesmo ramo após o encerramento da primeira.
 
As investigações começaram a partir de uma comunicação da Corregedoria-Geral da PMMT sobre a evolução patrimonial incompatível de Tiago Alves da Silva. As diligências revelaram que outros policiais militares também apresentavam movimentações financeiras atípicas, levando ao desmonte de uma organização criminosa estruturada em núcleos especializados de crime e lavagem de dinheiro.

O Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), força-tarefa permanente constituída pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), Polícia Judiciária Civil, Polícia Militar, Polícia Penal e Sistema Socioeducativo, deflagrou, na manhã desta quarta-feira (26), a Operação “Fides Fracta”. São cumpridos 28 mandados de busca e apreensão domiciliar e 22 mandados de sequestro de bens.

A ação tem como objetivo colher provas, impedir a dissipação de bens adquiridos com recursos ilícitos e garantir a efetividade da persecução penal. Os crimes investigados incluem organização criminosa (Lei 12.850/13), lavagem de dinheiro (Lei 9.613/98), extorsão, usura e outros delitos relacionados.

O grupo atuava na região metropolitana de Cuiabá, Várzea Grande e também em Goiânia (GO). Segundo as investigações, policiais militares — alguns ainda na ativa e outros já fora das fileiras — eram responsáveis por práticas de agiotagem, extorsão, falsificação de documentos, lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial. De acordo com o delegado Hércules Batista, foram identificadas movimentações financeiras milionárias, sustentadas por cobranças abusivas.
 
Veja todos os nomes: 

Abrantes Campos Martins;

Adriano Pereira Costa;

Dilemir Lima Santos; 

Eclesiaste Alves Silva; 

Elieser Vieira da Silva;

Eloi Adriano Alfonso Moraes — policial militar (cabo);

Jairo Rodrigo de Pinho; 

Jaison Lemes de Oliveira; 

Jean Cabral de Barros; 

Jonny Zielasko Junior — policial militar (cabo PM);

Mario Sergio de Oliveira — policial militar (soldado);

Matheus de Lara Arguelho;

Nilson Moraes de Aguiar — policial militar (cabo);

Oberdann Vinícius de Morais — policial militar;

Pedro Antonio Norato Victor — policial militar;

Rafaela Cristina de Oliveira Santos;

Thiago Ferreira Borges; 

Tiago Alves da Silva - suposto lider do esquema 

Vanessa da Silva Souza — ex-companheira de Tiago Alves da Silva;

Victor Hugo Lucas Silva — contador;

Wictor Hugo Gomes Bonomo — sócio de Tiago Alves da Silva;

Wilson Alves de Souza.
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