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Sexta-feira, 03 de abril de 2026

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OPERAÇÃO FIDES FRACTA

Ex-militar líder de grupo de agiotagem abriu cinco empresas fantasmas para lavar mais de R$ 20 milhões; confira

Foto: Reprodução

Ex-militar líder de grupo de agiotagem abriu cinco empresas fantasmas para lavar mais de R$ 20 milhões; confira
Decisão que autorizou a Operação ‘Fides Fracta’, deflagrada nesta quarta-feira (26), revelou que o grupo criminoso liderado pelo ex-policial militar Tiago Alves da Silva usou uma rede com mais de cinco empresas de fachada para movimentar dezenas de milhões de reais originados de crimes de agiotagem e extorsão. A investigação, conduzida pelo Gaeco, aponta que as empresas, sem atividade operacional real, serviram para dissimular e reciclar os recursos ilícitos. Ordem foi proferida pelo juiz Moacir Rogério Tortato, do Núcleo do Juiz de Garantias de Cuiabá.


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Tiago Alves da Silva é apontado como o líder da organização e, segundo as investigações, centralizava as atividades e empregava familiares próximos, como seu irmão, Ecclesiastes Alves da Silva, e sua tia, Maria Aparecida de Freitas, para figurar como sócios formais de diversas empresas. Entre as pessoas jurídicas constituídas para o esquema, citadas na decisão, estão a TS Incorporação Ltda., a TS Soluções Cred Empresa Simples de Crédito Ltda., Alves e Freitas Ltda., Silva Multimarcas e Silva Lavacar.

Conforme relatórios técnicos, essas empresas não possuíam sede física compatível com suas declarações cadastrais e funcionavam exclusivamente como instrumentos de dissimulação patrimonial. A TS Incorporação Ltda., que tem Ecclesiastes como sócio-administrador, movimentou, entre 2020 e 2022, R$ 8.079.606,77 em créditos e R$ 8.078.961,37 em débitos, sem que houvesse qualquer atividade operacional para justificar esse volume financeiro.
 
A TS Soluções Cred Empresa Simples de Crédito Ltda., também administrada por Ecclesiastes e com participação de capital de Tiago, movimentou, entre 2017 e 2022, R$ 7.314.463,76 em créditos e praticamente o mesmo valor em débitos, revelando uma circularidade financeira atípica. O mesmo padrão foi identificado na empresa Alves e Freitas Ltda., que, entre 2021 e 2022, movimentou R$ 13.823.751,10 em créditos e R$ 13.798.485,35 em débitos.
 
As investigações constataram que Tiago Alves da Silva mantinha um patrimônio expressivo e incompatível com sua remuneração como policial militar. Foram identificados 18 veículos automotores de luxo em seu nome, incluindo modelos como Chevrolet Camaro, Volvo XC60 e BMW, com valor total aproximado de R$ 1.331.797,00.
 
O esquema utilizava o mesmo endereço, em Várzea Grande, MT, para registrar várias das empresas e onde funcionava o escritório de agiotagem. Diligências de vigilância confirmaram que os estabelecimentos Silva Multimarcas e Silva Lavacar, embora tivessem veículos estacionados, não apresentavam movimento de clientes, atendimentos ou qualquer sinal de atividade comercial legítima.

O grupo é acusado de praticar empréstimos ilegais a juros abusivos, utilizando-se de ameaças, cárcere privado e tortura para assegurar o pagamento das dívidas, conforme registrado em diversos boletins de ocorrência. Os recursos obtidos eram subsequentemente lavados por meio da complexa rede de empresas, que realizavam transações circulares entre os investigados para ocultar a origem ilícita do dinheiro.
 
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