A juíza Tabatha Tosetto, do Plantão Criminal de Barra do Garças, manteve a prisão preventiva da advogada Andressa Alves de Sousa, detida nesta quarta-feira (1) no âmbito da Operação Laço Oculto, acusada de atuar como “pombo-correio” para uma liderança do Comando Vermelho dentro do sistema prisional. Em audiência de custódia realizada nesta tarde (1), Andressa chorou ao ouvir a magistrada homologar o mandado de prisão e determinar que ela continue detida até seu recambiamento para o Estado de Goiás.
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Andressa é acusada de repassar informações de uma liderança do Comando Vermelho dentro do sistema prisional para outros membros da facção. De acordo com as investigações, ela transmitia mensagens e orientações do detento a integrantes do CV, além de recolher valores em dinheiro a mando do preso, oriundos de atividades ilícitas. Segundo o Ministério Público, as condutas ultrapassavam os limites constitucionais de sua função profissional.
O preso ligado à advogada é apontado como criminoso de alta periculosidade, com influência nos dois estados. Além da prisão, a operação também cumpriu mandados de busca e apreensão na residência e no escritório da investigada.
Em nota, o Ministério Público destacou que a operação reforça o compromisso no enfrentamento à criminalidade organizada e na responsabilização penal de todos os envolvidos, inclusive de agentes que, valendo-se de suas funções, colaboram para a manutenção e expansão de facções criminosas.
Submetida a audiência de custódia ainda hoje (1), Andressa ficou em silêncio durante a sessão. Ela foi detida e conduzida à Justiça sem maiores intercorrências.
Mãe de dois filhos, Andressa estava acompanhada de dois advogados do Tribunal de Ética e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil (TED-OAB-MT) e pediu que fosse recambiada ao seu estado de origem, Goiás, onde a operação também cumpriu mandados, e que fique recolhida em local destinado à advocacia, a “Sala de Estado Maior” – espaço sem grades, com instalações e comodidades adequadas, preferencialmente em quartéis militares ou órgãos de segurança pública, distinto de uma cela comum.
Examinando o caso, a juíza decidiu homologar o mandado de prisão e manter Andressa detida em repartição pública policial da cidade de Barra do Garças, ou em sala de Estado Maior próxima a Comarca de Barra antes de eventual recambiamento.