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Sexta-feira, 03 de abril de 2026

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HC NO TJ

Desprezo pela vítima: MP quer manutenção da prisão do advogado que estuprou e matou empresária no Manso

Foto: Reprodução

Desprezo pela vítima: MP quer manutenção da prisão do advogado que estuprou e matou empresária no Manso
O Ministério Público (MPE) pediu que o Tribunal de Justiça (TJMT) mantenha a prisão do advogado Cleber Lagreca pelo estupro e assassinato da sua então companheira, Elaina Stelatto, ocorrido no Lago do Manso em outubro de 2023. Em parecer remetido à Primeira Câmara Criminal nesta segunda-feira (22), o procurador de Justiça Antonio Sérgio Cordeiro Piedade rechaçou os argumentos de Cleber e reforçou a necessidade da manutenção do cárcere.


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O feminicídio foi cometido por diante da negativa da vítima em manter relação sexual com ele, o que evidenciou o desprezo que o denunciado demonstrou pela vida de Elaine, uma mulher com quem ele já estava se relacionando amorosamente e que confiou em sua proposta de um encontro romântico em um passeio de lancha no Lago do Manso.

Após estuprar e matar Elaine, o advogado ainda tentou alterar a cena do crime com intuito de induzir o perito ao erro, simulando um acidente para fazer parecer que a vítima teria agido de forma irresponsável ao, alcoolizada, se jogar da lancha em movimento durante um reboque, o que teria resultado em morte por afogamento.

Lagreca conheceu Elaine Stelatto pelo Facebook seis meses antes de sua morte e retomaram contato via Instagram dois meses antes, iniciando um relacionamento. Para estreitar a relação, o denunciado organizou um passeio romântico em sua embarcação, comprando frutas e dois espumantes. Na manhã do dia 19 de outubro de 2023, por volta das 8:50, Elaine encontrou-se com o denunciado no posto de gasolina Bom Clima, em Cuiabá e de lá, seguiram com um carro de aplicativo até a Marina JJ, no Lago do Manso, Chapada dos Guimarães, onde embarcaram na lancha “Titanium”.

Por volta das 12h30, a embarcação apresentou defeito, soltando fumaça e ficando à deriva próximo ao píer do Malai Resort. Foi durante o reboque da lancha danificada que Lagreca assassinou Elaine, estuprada e espancada até a morte.

Em junho, a Justiça decidiu submeter Cleber ao Tribunal do Júri pelo feminicídio. A decisão, assinada eletronicamente pelo Juiz de Direito Leonísio Salles de Abre Júnior, também determinou a manutenção da prisão preventiva do acusado. Cleber Figueiredo Lagreca também foi pronunciado pelo crime de fraude processual. A decisão fundamentou-se em contradições e divergências nas versões apresentadas pelo réu, especialmente quando confrontadas com os laudos periciais e depoimentos de testemunhas.

Contra essa ordem, ele apelou no Tribunal de Justiça visando aguardar o julgamento em liberdade. O argumento da defesa é que Cleber está com doença grave e possui um irmão portador de esquizofrenia que necessita de seus cuidados. Contudo, o juiz de primeiro piso negou os pedidos e o manteve preso até o júri. Inconformado, apelou no TJ.

No começo do mês, o próprio Leonísio informou a Corte pela necessidade de mantê-lo preso. Agora, foi a vez do Ministério Público. Para o procurador, a gravidade concreta da conduta, o modus operandi empregado, e o risco à ordem pública e à instrução processual são fatores aptos a mantê-lo encarcerado, enfatizando que as condições pessoais favoráveis do réu não justificam a soltura, e que seu tratamento médico pode ser realizado na unidade prisional.

“Sendo assim, mostra-se imprescindível a segregação cautelar do paciente por estar comprovado os indícios do cometimento dos delitos e a necessidade da prisão para salvaguardar a ordem pública, a conveniência da instrução penal e assegurar a aplicação da lei penal. Logo, em razão da ausência de alteração do contexto fático que originou a decretação da prisão cautelar, a qual está devidamente fundamentada, a segregação cautelar deve ser mantida.  Diante do exposto, o parecer é pela denegação da ordem de habeas corpus”, manifestou.
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