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Sexta-feira, 03 de abril de 2026

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Polícia Civil pede quebra de sigilo em investigação de empresa de formaturas que deixou prejuízo de R$ 7 milhões

Polícia Civil pede quebra de sigilo em investigação de empresa de formaturas que deixou prejuízo de R$ 7 milhões
A Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon), solicitou à Justiça a quebra de sigilo bancário e fiscal de quatro pessoas físicas e duas empresas no âmbito da Operação Ilusion. A medida busca aprofundar a investigação sobre a Imagem Serviços de Eventos Ltda., que encerrou atividades em 31 de janeiro de 2025, deixando milhares de formandos sem festas e álbuns fotográficos.


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Os principais alvos são os empresários Márcio Júnior Alves do Nascimento e Eliza Severino da Silva, apontados como gestores de fato da Imagem Eventos, embora a firma estivesse formalmente em nome de Antonia Alzira Alves do Nascimento, mãe de Márcio. Também são investigados Marcos Vinicius Alves do Nascimento, irmão de Márcio, e as empresas Imagem Serviços de Eventos Ltda. e Graduar Decoração e Fotografia Ltda.

Prejuízo milionário

O inquérito foi instaurado após 248 boletins de ocorrência registrados apenas na Decon. Cada registro envolvia mais de uma vítima, e as oitivas indicam que o número de prejudicados pode ultrapassar mil formandos em diversas cidades de Mato Grosso (Cuiabá, Várzea Grande, Cáceres, Rondonópolis, Sinop, Nova Mutum e Barra do Bugres) e de Rondônia (Vilhena, Cacoal e Porto Velho).

Funcionários e ex-gestores apontam que os prejuízos superam R$ 7 milhões. Um dos casos mais emblemáticos ocorreu com a Turma 12 de Medicina da Univag, que havia pago R$ 1,84 milhão pela festa. Na véspera do baile, descobriu que fornecedores não haviam sido pagos e precisou arrecadar R$ 428 mil extras para garantir a realização do evento.

Fechamento planejado

Depoimentos de funcionários indicam que o fechamento foi premeditado. Márcio e Eliza seguiram recebendo pagamentos até o último dia de funcionamento, inclusive promovendo uma campanha de antecipação de parcelas, com descontos de até 15%, cujo prazo final de pagamento foi em 30 de janeiro – véspera da interrupção das atividades.

Segundo a tesoureira ouvida pela PJC, a Graduar, empresa de Eliza, funcionava no mesmo endereço da Imagem e atuava “como se fosse uma só”, servindo de “plano B” para os sócios.

Rastro do dinheiro e fuga

Para a Polícia Civil, o afastamento de sigilo é a única forma de rastrear a origem e o destino dos recursos. O pedido à Justiça abrange movimentações financeiras entre julho de 2024 e maio de 2025.

As investigações apontam ainda que os suspeitos fugiram após o fechamento. Márcio Júnior teria se deslocado para João Pessoa (PB), onde mantém sociedade informal com o irmão Marcos Vinicius, enquanto Eliza teria ido para Maringá (PR), onde abriu uma loja de roupas fitness. Ambos moravam de aluguel em Cuiabá e não possuíam bens registrados em seu nome.
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