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Sexta-feira, 03 de abril de 2026

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Irmã de mulher morta na Chacina de Sorriso presta depoimento emocionado em júri: 'perfeita naquilo que se propunha a fazer'

Irmã de mulher morta na Chacina de Sorriso presta depoimento emocionado em júri: 'perfeita naquilo que se propunha a fazer'
Familiares das quatro vítimas da Chacina de Sorriso prestaram depoimento nesta quinta-feira (7), durante o julgamento de Gilberto Rodrigues dos Anjos, acusado pelos crimes de estupro, estupro de vulnerável e feminicídio. Ele responde pelas mortes de Cleci Calvi Cardoso, de 46 anos, e de suas filhas Miliane, de 19 anos, Manuela, de 13, e Melissa, de 10 anos.


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Os crimes ocorreram entre a noite de sexta-feira (24) e a madrugada de sábado (25) de novembro de 2023, quando o réu, conforme já confessado, invadiu a residência da família e cometeu os assassinatos. Os corpos só foram encontrados na manhã de segunda-feira (27), apresentando diversos ferimentos e sinais de violência sexual, com exceção da filha mais nova.

Na época, Gilberto trabalhava e residia em uma obra localizada ao lado da casa das vítimas. O marido de Cleci e pai das meninas estava viajando a trabalho no momento do crime. O acusado foi preso pela Polícia Civil de Sorriso logo após a descoberta dos corpos e confessou os crimes durante depoimento.

Depoimentos

A primeira testemunha ouvida foi Regivaldo Batista Cardoso, esposo de Cleci e pai das três meninas. Ele relatou ao promotor de Justiça Luiz Fernando Rossi Pipino como recebeu a notícia da tragédia. Disse que, durante a viagem, tentou contato com a família diversas vezes sem sucesso e, preocupado, acionou a Polícia Militar.

Segundo ele, os policiais foram até a residência, mas relataram que, externamente, tudo parecia normal — os cachorros estavam na casa e ninguém atendia ao interfone. Regivaldo contou que as filhas costumavam avisar todos os dias quando saíam para a escola. Ao ligar para a instituição, foi informado da ausência delas. Preocupado, ligou para a sogra, justificando que não o havia feito antes por ela estar em recuperação de uma cirurgia.

Durante o depoimento, o promotor pediu que ele falasse sobre Miliane. Emocionado, o pai descreveu as características da filha, bem como de Manuela, Melissa e da esposa. Após o relato, foi dispensado.

A segunda testemunha foi Elinara, irmã de Cleci. Ela contou que permaneceu no local do crime na tentativa de preservar os corpos das vítimas da curiosidade de populares que se aglomeravam na frente da casa.

Ela relatou a incredulidade ao presenciar a cena do crime e disse ter sentido que o autor estaria próximo, o que se confirmou posteriormente, com a prisão de Gilberto na obra onde trabalhava, ao lado da residência.

Elinara descreveu a irmã como uma mulher trabalhadora, dedicada e extremamente protetora com as filhas. “As meninas nunca foram soltas em lugar nenhum. Sempre foram protegidas. Sempre!”, afirmou. Ela também destacou a forte união familiar entre Cleci, a mãe e as irmãs. “Ela era perfeita naquilo que se propunha a fazer, a vida inteira”, disse.

Ao falar das sobrinhas, Elinara se emocionou. Miliane, segundo ela, era estudiosa, cuidadosa com a avó e cheia de sonhos. Manuela era uma menina ativa, que gostava de subir em árvores, andar de bicicleta e estudar. “Muito querida, muito amorosa sempre”, descreveu. Já Melissa foi lembrada como “espoleta e esperta”, além de estudiosa e muito apegada à avó materna.

Elinara contou ainda que, no momento em que soube dos crimes, não teve coragem de entrar nos quartos das meninas.
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