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Sexta-feira, 03 de abril de 2026

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RICCI VOLPATO

No centro de esquema de desvio milionário do TJ, família movimentou mais de R$ 30 milhões em quatro anos

Foto: Reprodução

No centro de esquema de desvio milionário do TJ, família movimentou mais de R$ 30 milhões em quatro anos
As investigações da Operação Sepulcro Caiado, que combateu esquema de desvio milionário da conta única do Tribunal de Justiça (TJMT), mostram que a engrenagem do esquema era sustentada por diversos integrantes da família Ricci Volpato, sobretudo pelo empresário João Augusto Ricci Volpato, acusado de liderar as fraudes.


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Apenas Augusto Frederico Ricci Volpato, irmão de João Gustavo e apontado como braço operacional, movimentou mais de R$ 16,5 milhões entre janeiro de 2019 e setembro de 2023. O valor é incompatível com sua declaração de Imposto de Renda de 2017, na qual constavam apenas R$ 68 mil de renda anual e R$ 667 mil de patrimônio.
 
Em janeiro de 2019, Augusto movimentou R$ 253 mil; em abril, mais R$ 350 mil, dos quais R$ 80 mil foram transferidos à mãe, Luiza Rios Ricci Volpato. Ainda em 2019, repassou R$ 11 mil ao irmão João Gustavo. Entre novembro de 2020 e agosto de 2021, movimentou R$ 6.269.684,00, com repasses de mais de R$ 666 mil aos pais. Já no período de agosto de 2021 a setembro de 2023, somou movimentações de mais de R$ 10 milhões, com transferências de R$ 1,2 milhão para a mãe e R$ 1 milhão ao cunhado, Guilherme Porto.
 
Já João Gustavo registrou movimentações que totalizam cerca de R$ 12,1 milhões entre setembro de 2020 e setembro de 2023. No primeiro intervalo (setembro de 2020 a maio de 2021), foram R$ 2.739.564,00, com destaque para recebimentos da RV Empresa de Cobrança Ltda – ME (R$ 281.013,00) e do escritório França & Moraes Sociedade de Advogados S/S (R$ 190.373,86), para o qual ele também transferiu R$ 100 mil. No segundo período (maio de 2021 a setembro de 2023), a movimentação alcançou R$ 9.389.672,00, mantendo vínculos com as mesmas empresas.

A mãe, Luiza Rios Ricci Volpato, também teve movimentação expressiva: R$ 2.054.545,00 entre fevereiro e julho de 2022. Desses, mais de R$ 346 mil foram destinados ao filho Augusto, além de ter recebido valores dele e de João Gustavo.

João, Augusto e a mãe Luiza foram presos na quarta-feira (30). Após audiência de custódia, Luiza, que é professora aposentada da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), teve a prisão preventiva revogada.

Além deles,  foram presos os advogados Rodrigo Marinho, Régis Poderoso de Souza, Wagner Vasconcelos de Moraes e sua esposa Melissa França Vasconcelos de Moraes (solta após custódia), Themis Lessa da Silva, João Miguel da Costa Neto e o servidor Mauro Ferreira Filho.

Esquema e articulação

Segundo o Ministério Público, o grupo teria estruturado um modelo fraudulento de execução de dívidas inexistentes, com a inserção de procurações falsas nos autos judiciais e acordos processuais simulados. O objetivo era induzir o juízo a erro e, com a homologação de valores expressivos, obter alvarás de saque diretos da conta única.

Participariam da articulação os advogados Wagner Vasconcelos de Moraes, Melissa França Praeiro Vasconcelos de Moraes, Rodrigo Moreira Marinho, Themis Lessa da Silva, João Miguel da Costa Neto, Régis Poderoso de Souza e Denise Alonso, que se revezavam entre a representação de partes “exequentes” e “executadas”, muitas vezes com documentos sem validade jurídica.

O servidor do TJMT Mauro Ferreira Filho também é investigado por facilitar internamente a liberação dos valores. Sua esposa, Márcia Ferreira Costa, falecida em 2023, movimentou R$ 1,7 milhão em um ano, incluindo um crédito de R$ 342 mil da empresa RV Cobrança, uma das peças-chave da investigação.
 
Outros envolvidos incluem o advogado Régis Poderoso de Souza, que movimentou R$ 220 mil em dois dias e adquiriu um imóvel em Marília (SP) com pagamento em espécie, prática apontada como forma de ocultação de origem dos recursos.

O prejuízo inicialmente apurado é de R$ 11 milhões em 17 processos, mas há indícios de que os desvios possam superar R$ 21 milhões e abranger centenas de ações judiciais.
Bens e valores apreendidos

A operação cumpriu mandados de prisão e busca e apreensão em Cuiabá e outras localidades nesta quarta-feira (30). Foram apreendidos cofres, joias e até jet skis, indicando a possível conversão de recursos ilícitos em bens de luxo.

O grupo responderá, conforme a investigação avança, por crimes como lavagem de dinheiro, peculato, falsidade documental, estelionato e fraude processual. As movimentações bancárias identificadas seguem sob análise da Polícia Civil e do Ministério Público, que não descartam novos desdobramentos.
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