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Sexta-feira, 03 de abril de 2026

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ADQUIRIDOS COM DINHEIRO VIVO

Joias, relógios, armas e apartamentos: o “patrimônio invisível” do juiz afastado por negociar decisões com Zampieri

Foto: Reprodução

Joias, relógios, armas e apartamentos: o “patrimônio invisível” do juiz afastado por negociar decisões com Zampieri
Ivan Lucio Amarante, juiz afastado de suas funções da 2ª Vara de Vila Rica, seria dono de um “patrimônio invisível” milionário, possivelmente adquirido com dinheiro vivo e não declarado na sua atualização de imposto de renda, além de supostamente ter constituído empresas de fachada para lavar dinheiro, e de negociar decisões com o seu amigo íntimo, o advogado Roberto Zampieri, assassinado em 2023. Apartamentos, joias, relógios e armas teriam sido comprados com dinheiro em espécie, segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ).


Leia mais: Juiz alvo da PF já estava afastado por decisão do Conselho Nacional de Justiça; saiba quem é

Ivan foi alvo da 8ª fase da Operação Sisamnes, deflagrada nesta quinta-feira (29) pela Polícia Federal em Cuiabá, com o objetivo de aprofundar a investigação em relação aos crimes de corrupção judiciária e lavagem de dinheiro. Contra ele, os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão, bem como o bloqueio de R$ 30 milhões.

A ofensiva foi desencadeada inicialmente em novembro do ano passado, a partir dos dados extraídos do celular de Roberto Zampieri. No seu “Iphone Bomba”, os agentes encontraram diálogos que revelariam o esquema de venda de decisões no Judiciário a nível nacional.

A partir de então, a PF identificou esquema de lavagem de dinheiro, montado para dissimular pagamentos milionários de “propinas” em troca das decisões judiciais proferidas por magistrado vinculado ao Tribunal de Justiça do Estado do Estado de Mato Grosso. Os desembargadores Sebastião de Moraes e João Ferreira Filho, e o juiz Ivan Lucio, estão afastados desde o ano passado por ordem do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), validada pelo Supremo Tribunal Federal.

Nesta terça (27), o CNJ decidiu pela instauração de um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) contra o juiz Ivan Lucio, mantendo seu afastamento e indicando possível prática de crimes cometidos pelo magistrado. Foi durante a sessão plenária que o relator, ministro Campbell Marques, revelou em seu voto o patrimônio invisível de Ivan, bem como provas de sua amizade íntima com Zampieri, caracterizada pela sua subserviência para atender aos interesses lobistas dele em troca de propina. Empresas de fachada em nome de sua esposa e da sua ex-mulher também foram descortinadas.

Ao término da análise da movimentação bancária e fiscal de Ivan Lúcio, feita pela inteligência do CNJ e da PF, foi constatado o aporte, sem aparente motivação legal, de ao menos R$ 1.09 milhão, valor este que pode ser ainda maior, uma vez que os dados bancários e fiscais de Mara Amarante, sua atual esposa, não foram disponibilizados para análise da autoridade policial.

Também foram registradas, em nome do juiz, a aquisição de bens de altíssimo valor como a compra de joias de Cecilia Maria de Araujo Borges, no valor de R$ 107.900,00, e da empresa Bulgari de R$ 117,8 mil, além da compra de armas de fogo no valor de R$ 96 mil.

Por fim, o relatório também evidenciou a prática pelo magistrado de adquirir bens e imóveis em seu próprio nome. Contudo, tais bens não são declarados atualizados em seu imposto de renda: dois imóveis em Cuiabá, um de R$ 133 mil e outro de R$ 143 mil, comprados mediante pagamentos não identificados em suas contas; terreno em Vila Rica de R$ 125 mil, cujo pagamento não foi identificado; apartamento de R$ 580 mil em Cuiabá, também sem identificação.

A Operação Sisamnes foi desencadeada com base em informações colhidas no aparelho celular do advogado Roberto Zampieri, morto a tiros em Cuiabá por envolvimento em disputa de terras no valor de R$ 100 milhões.

As informações colhidas no celular de Zampieri levaram ao afastamento de dois desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), João Ferreira Filho e Sebastião de Moraes, bem como de Ivan Lúcio.

7ª Fase

Na manhã de quarta-feira (28), foi deflagrada a 7ª fase da operação. Na ocasião, foram cumpridas ordens de prisão contra o coronel do Exército Etevaldo Luiz Caçadini, Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins, Gilberto Louzada da Silva e Aníbal Manoel Laurindo.
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