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Sexta-feira, 03 de abril de 2026

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3 MIL HECTARES EM NOVA UBIRATÃ

Investigado no Caso Nery, jornalista contratou segurança armada por temer emboscada em disputa de terras

Foto: Reprodução

Investigado no Caso Nery, jornalista contratou segurança armada por temer emboscada em disputa de terras
Preso em flagrante nesta segunda-feira (26) durante nova fase da operação que investiga o assassinato do advogado Renato Nery, em Cuiabá, o jornalista e perito Cláudio Natal afirmou à Polícia Civil que as munições de alto calibre encontradas em sua residência seria de um policial militar que ele contratou para sua segurança particular. Natal disse que está sendo ameaçado de morte desde 2020, quando teria entrado numa disputa judicial por mais de 3 mil hectares em Nova Ubiratã.


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Conforme apurado pelo Olhar Jurídico, Natal afirmou em seu depoimento que foi ameaçado de morte há um tempo e, por isso, contratou um esquadrão de quatro seguranças particulares, dentre eles, um militar chamado Emerson. As munições apreendidas, as quais culminaram na prisão em flagrante de Natal, seriam, segundo ele, do policial militar Emerson, que acabou preso e “esqueceu” o material bélico em sua residência, no bairro Santa Cruz, em Cuiabá.

O objetivo de Natal seria se proteger das ameaças que estaria sofrendo diante da disputa. Para isso, o quarteto ficava 24h na sua companhia, e dormia na sua casa. Faziam sua escolta e a proteção das suas filhas.

“Ai, quando ele foi preso, ficou lá essas munições. Porque os outros iam com a munição e só ele deixou isso para trás. Como eu estava sofrendo ameaças mesmo, achei que eles queriam me matar, eu falei para eles (policiais) “olha, vamos se proteger, andar armado, com munição, porque acho que vão me matar de verdade”. Então eles se municiaram e foi isso que aconteceu”, disse.

Questionado pelo delegado Bruno Abreu, que conduz a operação, sobre desde quando essa escolta armada lhe acompanha, Natal revelou que foi desde que ele passou a integrar o processo de reintegração de posse travado pelo agricultor Roberto Zanoni e a empresa Centrosul Logística.

Zanoni ajuizou, em 2020, ação de reintegração contra a empresa, alegando ser possuidor da fazenda Zanoni, de mais de 3 mil hectares em Nova Ubiratã. Afirmou à Justiça que, naquele ano, a empresa teria contratado um grupo de 15 capangas fortemente armados que impediram o arrendatário da área de entrar no local.

A empresa, por sua vez, alega que tem provas de ser a dona do local há mais de 30 anos, e que Zanoni seria um “grileiro profissional”. Em 2023, por força de liminar, a posse foi dada a empresa, o que anteriormente havia sido garantido ao agricultor. O caso ainda não se encerrou e as partes continuam na disputa pelas terras, cujo valor é milionário.

Caso Nery

A Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), cumpriu na manhã desta segunda-feira (26) mandado de busca e apreensão contra o jornalista Cláudio Natal, investigado no caso do assassinato do advogado Renato Nery, morto em julho do ano passado em Cuiabá.

Cláudio se apresenta como jornalista e também como perito judicial. Segundo as investigações, ele teria participação ativa no esquema criminoso, inclusive atuando na adulteração de documentos e no assessoramento a escritórios de advocacia.

Durante o cumprimento dos mandados, os agentes encontraram com o comunicador grande quantidade de munição, com calibre 12, calibre 38 e .40. Diante dos fatos, Natal foi autuado em flagrante por posse irregular de munições pelo delegado Bruno Abreu.

De acordo com a DHPP, cerca de 15 dias antes da prisão dos policiais militares acusados da execução, Cláudio teria ligado para a mandante do crime solicitando recursos financeiros para custear a defesa dos envolvidos.

A primeira fase do inquérito foi concluída no dia 9 de maio com o indiciamento de um policial militar, Heron Teixeira, e do caseiro de sua chácara em Várzea Grande, Alex Roberto de Queiroz Silva. Ambos são apontados como autores diretos dos disparos que mataram o advogado. Eles foram indiciados por homicídio qualificado por promessa de recompensa e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima.

Ainda conforme a polícia, o crime foi encomendado pelo casal Cesar Sechi Sechi e Julinere Goulart, de Primavera do Leste, justamente em meio a uma disputa por terras.

Renato Nery foi baleado na manhã de 5 de julho de 2024, em frente ao escritório onde trabalhava, em Cuiabá. O advogado chegou a ser socorrido e passou por cirurgia em um hospital particular, mas não resistiu aos ferimentos. Desde então, a DHPP tem realizado diligências, coleta de provas e análise técnica para esclarecer todos os envolvidos na execução do jurista, que tinha 72 anos.

Pouco tempo antes de ser assassinado, Nery ajuizou uma representação disciplinar em 2024, em que cita o jornalista Claudio Natal como suposto integrante de um “escritório do crime”.
 
O documento, que narra o histórico de quase 40 anos de processos judiciais relacionados à posse de uma grande área, nos quais Renato Nery atuou como advogado, tem como foco de acusação o também advogado Antônio João de Carvalho Júnior, que teria, segundo o documento, utilizado meios antiéticos e fraudulentos para anular cessões de posse. Na peça, o escritório de Antônio é chamado de “escritório do crime”
 
A representação buscava a instauração de um processo disciplinar contra Antônio João de Carvalho Júnior, alegando incompatibilidade de conduta com a advocacia e infrações ao código de ética.
 
O mesmo documento que tem Antônio João de Carvalho Júnior como foco apresenta Claudio Natal como um indivíduo com histórico criminal, atuando como “blogueiro e grampeador” que colabora com o “escritório do crime”, divulgando informações falsas para auxiliar em disputa judicial.
 
“O blogueiro (estelionatário) Claudio Natal sempre se encarregando de noticiar, nas suas maledicentes linhas, inúmeras inverdades sobre a conduta social do advogado Renato (Representante). Por meio deste expediente ele lhe imputa ignominiosos qualificativos (canalha, usurpador de direitos etc.)”, diz trecho da representação assinada por Nery.
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