O juiz Wladymir Perri, da 3ª Vara Criminal de Várzea Grande, reconheceu a prescrição e anulou as sentenças que haviam condenado Glaucia Cristina Moura Alt por associação para o tráfico, corrupção passiva e à perda do cargo de investigadora de polícia civil. Ela e seu marido, o então delegado João Bosco Ribeiro de Barros, foram alvos da Operação Abdon, deflagrada em 2013, por suspeita de manter traficantes soltos em troca de dinheiro.
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Em decisão proferida nesta segunda-feira (5), o magistrado acatou apelação feita pelo advogado Ricardo Spinelli, que defende Glaucia, e declarou extinta sua punibilidade.
O juiz, porém, entendeu que o pedido não mereceu ser estendido aos corréus e também investigadores, Cláudio Roberto da Costa, Leonel Constantino de Arruda e George Fontoura Filgueiras, condenados ao cumprimento em regime fechado de 09 anos pela suposta prática do crime de extorsão mediante sequestro.
Glaucia havia sido condenada a três anos por associação para o tráfico e 2 anos e oito meses por corrupção passiva. A pena acessória aplicada foi a perda do cargo na Polícia Civil.
O advogado Ricardo Spinelli apelou requerendo extinção da punibilidade mediante o reconhecimento da prescrição da pretensão punitiva em sua modalidade retroativa. Examinando o pedido, Perri decidiu acatá-lo sob os seguintes fundamentos.
“A denúncia foi recebida em 10/04/2014 a sentença publicada nas mãos do escrivão no dia 11/09/2024 e não houve recurso da acusação. Nesse contexto, evidente, que entre o recebimento da denúncia e a publicação da sentença transcorreram mais de 10 ( dez ) anos, razão qual o reconhecimento da perda do jus puniendi do Estado pela ocorrência da prescrição retroativa é medida que se impõe”, anotou decretando a extinção da punibilidade.
O delegado João Bosco Ribeiro Barros e sua esposa, a investigadora Gláucia Cristina Moura Alt, foram presos em novembro de 2013 pelo Grupo de Atuação de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
A Operação Abadom foi deflagrada em junho daquele ano e, de acordo com o Ministério Público, o delegado e Gláucia, atuando em conjunto com os outros denunciados, agiram mediante cobrança de dinheiro com objetivo de protegerem e cobrirem as atividades criminosas do traficante Marco Antônio da Silva, o “Neném”.