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Sexta-feira, 03 de abril de 2026

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OPERAÇÃO RAGNATELA

Acusado de lavar milhões para o CV, Willian Gordão alega que não é dono do Dallas e pede liberdade; ministro nega

Foto: Reprodução

Acusado de lavar milhões para o CV, Willian Gordão alega que não é dono do Dallas e pede liberdade; ministro nega
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a prisão de William Aparecido da Costa Pereira, o “William Gordão”, um dos alvos da Operação Ragnatela, que revelou suposto esquema milionário de lavagem de dinheiro do Comando Vermelho, via shows nacionais e casas noturnas em Cuiabá. Em decisão publicada nesta sexta-feira (28), o ministro Carlos Cini Marchionatti negou habeas corpus ajuizado em favor de Gordão


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A defesa do réu inovou nos pedidos recursais, uma vez que, em outros, o STJ já havia negado revogar a prisão por ausência de comprovação de que sua saúde estaria debilitada.

No último dia 20 de fevereiro, o presidente da Corte, Herman Benjamin, também negou outro pedido de liberdade, justificado sob o argumento de que ele não era o responsável pelas movimentações financeiras do estabelecimento comercial Dallas Bar, capital, um dos estabelecimentos usados pelo Comando Vermelho para lavar o dinheiro.

Também sustentava pela extensão da liberdade provisória concedida à Rodrigo Leal e Elzyo Jardel Xavier Pires. Pediu, então, a revogação da prisão e anulação da ação penal – argumento que foi usado no novo habeas corpus, que também sustentou falta de fundamentação na decisão que o manteve preso, e que sua detenção seria desproporcional em relação aos delitos que é acusado de cometer.

Examinando o requerimento, no entanto, Carlos Cini Marchionatti anotou que as decisões que o mantiveram detido foram devidamente fundamentadas, baseadas no risco que sua liberdade coloca à ordem pública e ao regular andamento do processo a qual responde. Além disso, considerou a gravidade da sua conduta, que atua em prol do Comando Vermelho.

“Nesse contexto, forçoso concluir que a prisão processual está devidamente fundamentada na garantia da ordem pública e para interromper a atuação de organização criminosa, não havendo falar, portanto, em existência de evidente flagrante ilegalidade capaz de justificar a sua revogação”, diz trecho da decisão.

Quatorze pessoas foram denunciadas pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso (MPE), por suspeita de envolvimento com uma organização criminosa na realização de shows em casas noturnas, em Cuiabá. Entre os denunciados está William Gordão.
 
A denúncia é resultado da Operação Ragnatela, que identificou que os criminosos participavam da gestão das casas noturnas e, com isso, passaram a realizar shows de cantores nacionalmente conhecidos, custeados pela facção em conjunto com um grupo de promotores de eventos da cidade.
 
William seria “testa de ferro” de Joadir Alves Gonçalves, que supostamente ocupava cargo de chefia da organização criminosa. Afastado do cargo de vereador, Paulo Henrique de Figueiredo (MDB) é denunciado de liderar o segundo núcleo do esquema, constituído de agentes públicos que facilitavam e cobravam propina para liberação dos alvarás dos eventos.

Willian também é apontado como a pessoa cujos dados foram usados para aquisição do Dallas Bar pela facção. Durante o período investigado, ele movimentou milhões em suas contas bancárias, montantes incompatíveis com sua renda legal declarada. Ele também seria proprietário de outras empresas abertas pelo Comando Vermelho para o esquema.
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