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Sexta-feira, 03 de abril de 2026

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OPERAÇÃO RAGNATELA EM CUIABÁ

Acusado de lavar milhões para o CV, Willian Gordão alega que não é dono do Dallas e pede liberdade; ministro nega

Foto: Reprodução

Acusado de lavar milhões para o CV, Willian Gordão alega que não é dono do Dallas e pede liberdade; ministro nega
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a prisão de William Aparecido da Costa Pereira, o “William Gordão”, um dos alvos da Operação Ragnatela, que revelou suposto esquema milionário de lavagem de dinheiro do Comando Vermelho, via shows nacionais e casas noturnas em Cuiabá. Em decisão proferida no último dia 20, o presidente da corte, ministro Herman Benjamin, negou habeas corpus ajuizado em favor de Gordão


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A defesa do réu inovou nos pedidos recursais, uma vez que, em outros, o STJ já havia negado revogar a prisão por ausência de comprovação de que sua saúde estaria debilitada.

Agora, o argumento é que ele não era o responsável pelas movimentações financeiras do estabelecimento comercial Dallas Bar, capital, um dos estabelecimentos usados pelo Comando Vermelho para lavar o dinheiro. Também sustenta pela extensão da liberdade provisória concedida à Rodrigo Leal e Elzyo Jardel Xavier Pires. Pediu, então, a revogação da prisão e anulação da ação penal.

Examinando o requerimento, no entanto, Benjamin anotou que o pedido feito ao STJ ainda não foi julgado pelo colegiado do Tribunal de Justiça (TJMT) e, por isso, a corte Superior não poderia intervir. Com o habeas corpus negado, Gordão segue preso e réu na ação da Ragnatela por associação criminosa e lavagem.

Quatorze pessoas foram denunciadas pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso (MPE), por suspeita de envolvimento com uma organização criminosa na realização de shows em casas noturnas, em Cuiabá. Entre os denunciados está William Gordão.
 
A denúncia é resultado da Operação Ragnatela, que identificou que os criminosos participavam da gestão das casas noturnas e, com isso, passaram a realizar shows de cantores nacionalmente conhecidos, custeados pela facção em conjunto com um grupo de promotores de eventos da cidade.
 
William seria “testa de ferro” de Joadir Alves Gonçalves, que supostamente ocupava cargo de chefia da organização criminosa. Afastado do cargo de vereador, Paulo Henrique de Figueiredo (MDB) é denunciado de liderar o segundo núcleo do esquema, constituído de agentes públicos que facilitavam e cobravam propina para liberação dos alvarás dos eventos.

Willian também é apontado como a pessoa cujos dados foram usados para aquisição do Dallas Bar pela facção. Durante o período investigado, ele movimentou milhões em suas contas bancárias, montantes incompatíveis com sua renda legal declarada. Ele também seria proprietário de outras empresas abertas pelo Comando Vermelho para o esquema.
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