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Quinta-feira, 02 de abril de 2026

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ESTUDANTES OPERANDO COMO SERVIDORES

Após denúncia de estagiários atuando como concursados no TJ, CNJ remete caso à comissão técnica para análise aprofundada

Foto: Reprodução

Após denúncia de estagiários atuando como concursados no TJ, CNJ remete caso à comissão técnica para análise aprofundada
O conselheiro Ulisses Rabaneda, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), determinou uma apuração minuciosa sobre o procedimento que denuncia suposto desvio de função de estagiários no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). Em decisão proferida no último dia 16, Rabaneda ordenou que a denúncia feita pelo Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário (Sinjusmat), que aponta ‘mão de obra’ estagiária em cargos de chefia, seja examinada pela Comissão de Eficiência Operacional Infraestrutura e Gestão de Pessoas.


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O procedimento de controle administrativo foi movido perante o CNJ em janeiro, a partir de pedido da categoria, que aponta o uso dos estudantes em atividades típicas de servidores efetivos, inclusive com acesso ao perfil de “Gestor Judiciário” no sistema Processo Judicial Eletrônico (PJe).

Antes da análise de mérito, o relator considerou necessário aprofundar a instrução do processo e determinou a emissão de parecer técnico pela comissão do CNJ responsável pela área.

No último andamento do caso, Rabaneda também autorizou o ingresso da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) como “amigo da Corte”. Para o relator, a advocacia é usuária direta do sistema PJe e pode ser impactada por eventuais falhas de governança e segurança de dados.

O TJMT, sob a presidência do desembargador José Zuquim Nogueira, também se manifestou no processo, em fevereiro, quando negou a existência de desvio de função, garantindo que os perfis de acesso ao PJe têm natureza técnica e operacional, sem implicar exercício de função de chefia ou cargo de confiança.

Segundo o tribunal, os atos praticados no sistema, como expedição de certidões e intimações, são classificados como ordinatórios e realizados por servidores sob supervisão de magistrados. Em relação aos estagiários, o TJMT sustentou que o acesso ao sistema é permitido pela regulamentação do CNJ, desde que haja supervisão, conforme a legislação de estágio.

A Corte informou ainda que já iniciou a reestruturação dos perfis de acesso ao PJe, com a criação de níveis distintos para gestores, servidores e estagiários, além do reforço nos mecanismos de controle e auditoria.

Prestadas tais informações, o conselheiro Rabaneda abriu prazo para manifestação do sindicato e da OAB-MT. O Sinjusmat reiterou as alegações iniciais e voltou a defender a adoção de medidas para restringir a atuação de estagiários em funções exclusivas de servidores concursados.
 
Agora, com a nova ordem, o processo segue em fase de instrução no CNJ, aguardando parecer técnico antes de eventual deliberação final do Plenário.
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