O juiz Pierro de Faria Mendes, da Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá, condenou o ex-agente prisional de Mato Grosso Valderson Wilson Guimarães por facilitar a entrada de drogas, aparelhos celulares e outros itens proibidos na Penitenciária Central do Estado (PCE), capital, fatos que foram revelados no bojo da Operação Ergástulo, deflagrada em 2011.
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Os efeitos da sentença publicada nesta sexta-feira (18) também atingiram Burt Lancort da Silva Meneses, detento, e a intermediária Liliane Leite da Silva (comerciante e parceira do esquema).
Valderson, então, foi condenado por improbidade administrativa a suspensão dos direitos políticos por 8 anos, multa civil de três vezes o valor do seu salário na época (R$ 3.021,81), perfazendo o total de R$ 9 mil com acréscimo de juros e multa; bem como a proibição de contratar com o Poder Público e teve reafirmada a perda do cargo público. Vale lembrar que, na esfera criminal, Valderson foi condenado a 3 anos.
Burt Lancort e Liliane Leite receberam a mesma pena com exceção da perda do cargo, já que não eram servidores.
Conforme a operação, gerida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), o agente prisional Valderson Wilson Guimarães, vulgo Caverinha, integrava quadrilha que vendia drogas, celulares, armas e bebidas na Penitenciária Central do Estado.
Ele já era investigado por outros crimes e recentemente havia sido transferido para o corpo da guarda do Fórum da capital, responsável por acompanhar presos que são ouvidos pela Justiça durante depoimento. A quadrilha era composta por traficantes, que já estavam presos, três policiais militares e três agentes prisionais.
Cinco pessoas já cumpriam pena na unidade, incluindo o traficante e “cabeça” do grupo, Burt Lancort da Silva Menezes, condenado a 25 anos e seis meses, por diversos crimes envolvendo assaltos, receptação e tráfico.
Liliane Leite da Silva, que já estava presa, e Aline Laura Ferreira da Silva, foram apontadas nas investigações como intermediadoras do esquema. Elas possuíam ‘bancas’ em frente ao presídio e recebiam os produtos para repassarem aos policiais.
De acordo com o promotor de Justiça Sérgio Silva da Costa, responsável pelas investigações, a entrada dos produtos na unidade só foi possível por causa do apoio dos agentes prisionais. “O envolvimento dos agentes prisionais é inegável, pois só eles matem contato com os presos na grade”.