A engenheira Nilza Ramos Pires, que acusou o ex-deputado Neri Geller (PP) por um suposto aborto sem consentimento, também acusou, no mesmo período, o ex-juiz federal Julier Sebastião (PT) de tê-la engravidado. À época, Neri registrou um Boletim de Ocorrências contra Nilza por extorsão e ameaça. O Ministério Público Estadual (MPE), já está movendo denúncia contra ela por perseguição e ameaça à uma mulher identificada como J. O.S. , cuja engenheira tenta lhe imputar a responsabilidade do caso.
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Deputado é alvo de extorsão, ameaças e aciona polícia contra ex-servidora e ex-marido de noiva
A informação consta no inquérito da Polícia Civil, onde está registrado o depoimento da mulher que não será idenificada, afirmando que Nilza tinha interesse em receber dinheiro independente de quem fosse a vítima.
Em contato com o Olhar Júridico, a mulher vítima das ameaças e perseguição de Nilza afirmou que nunca foi noiva de Julier, e que o relacionamento entre eles teria sido forjado pela engenheira. Inclusive, o ex-juiz confirmou em depoimento à polícia que nunca manteve relacionamento com nenhuma das partes.
Na acusação contra Neri, ela alega que foi induzida a fazer o aborto e que não concordava. Já contra o ex-juiz, ela atribuiu o aborto à “pressão” que estava recebendo da suposta de Julier por mensagens de texto.
Neste ínterim, o MPE ofereceu denúncia contra Nilza com incurso no artigo 147-A do Código Penal, por perseguição e ameaça à integridade física, “perturbando sua esfera de liberdade e privacidade”, diz trecho da acusação ingressada pelo Promotor de Justiça André de Almeida, no dia 8 de março deste ano.
Em março de 2021, o então deputado federal Neri Geller (Progressistas) registrou boletim de ocorrência contra Nilza Ramos Pires, de 45 anos, ex-servidora da Secretaria de Meio Ambiente (Sema) por extorsão, calúnia, difamação e coação. O parlamentar saiu uma noite com a denunciada, no início de 2020 e (conforme relato dele), desde então, passou a receber ameaças e ser alvo de extorsão, entre outros crimes.
Informações contidas dentro do processo ainda revelam um modus operandi da acusadora em que ela usava da gravidez para ameaçar e extorquir tanto o ex-deputado federal quanto o ex-juiz federal. Em determinado trecho das mensagens ameaçadoras Nilza entra em contato com J.O.S. cobrando explicações da relação dela com Julier.
“O que você é do Julier? Ele me largou grávida dizendo que estava sem tempo porque estava na política, to vendo a política desse nojento”, diz parte do depoimento realizado no dia 26 de abril. Ainda segundo a vítima de Nilza, ela nem sequer a respondeu. Porém, passou a receber ameaças de Nilza, o que a fez registrar um boletim de ocorrência contra ela.
“Ela foi ameaçada por Nilza dizendo: eu dou 10 dias para você sair do Brasil ou tenho um primo da Rotam que irá te matar e saber onde te achar”, além de outras ameaças que se seguiram e envolveram até a filha de 13 anos da companheira de Julier.
É citado ainda ainda que não tinha ligação com o então deputado federal Neri Geller, e que nunca tinha o encontrado pessoalmente, mas que tomou conhecimento pela repercussão na mídia que lhe chamou a atenção, “pois envolvia como vítima a Sra. Nilza com quem tem batalha judicial anterior à repercussão do investigado nas mídias”.
“Como a Nilza dizia estar grávida de Julier Sebastião e teria supostamente perdido a gestação no dia 12/06/2020, ao mesmo tempo em que dizia estar grávida do investigado Neri Gueller, e teria supostamente abortado a gestação no dia 11/05/2020?”, confronta J.
Procurado pela reportagem o ex-deputado federal Neri Geller manteve seu posicionamento desde que o caso veio à tona, e reitera ter sido "vítima de chantagens financeiras". Ele admite que se relacionou apenas uma vez com a acusadora, e que quando foi informado da gravidez, assumiria suas responsabilidades caso fosse comprovada a sua paternidade.