Olhar Jurídico

Sexta-feira, 03 de abril de 2026

Notícias | Criminal

ENVOLVIDO NO CASO NERY

Zuquim depõe e PM segue preso: defesa aponta golpe e contesta provas em ação sobre entrega de R$ 10 mil no TJ

Foto: Reprodução

Zuquim depõe e PM segue preso: defesa aponta golpe e contesta provas em ação sobre entrega de R$ 10 mil no TJ
O policial militar Jackson Pereira Barbosa, preso sob a acusação de ter orientado a entrega de R$ 10 mil na sede do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) utilizando, de forma fraudulenta, o nome do presidente da Corte, José Zuquim Nogueira, sustenta que ele e os demais envolvidos foram vítimas de um golpe. Segundo apurado pela reportagem, a origem da suposta fraude remete a um advogado, ainda não identificado, que teria oferecido, em julho, a “liberação” de Jackson mediante pagamento em dinheiro. Pereira Barbosa também segue detido pelo seu envolvimento no núcleo que teria intermediado o assassinato do advogado Renato Nery, em julho de 2024. Zuquim depôs em audiência nesta segunda-feira (24).


Leia mais: Justiça interdita Cadeia Pública de Sorriso por superlotação e condições degradantes
 
De acordo com a versão, esse advogado teria procurado Jackson no dia 24 de julho, quando ele estava preso na Rotam, oferecendo a soltura por R$ 40 mil — R$ 10 mil antecipados e R$ 30 mil após a saída. A recusa foi imediata e Jackson teria comunicado o fato à Corregedoria no mesmo dia, com registro formal. No dia seguinte, o mesmo advogado retornou, mas Jackson se recusou a atendê-lo.

Os advogados de Jackson, Renato Carneiro e Leonardo Salles, ressaltam não saber em que momento o advogado suspeito passou a procurar outras pessoas próximas ao militar, mas que teria oferecido a mesma proposta à ex-companheira de Jackson, Laura, e ao sargento Eduardo Soares de Moraes. Preocupada com a situação do ex-marido, Laura teria entregue os R$ 10 mil seguindo orientação do suposto advogado. Teria sido ele quem chamou o motorista por aplicativo para fazer a entrega no tribunal, sem que Laura ou Eduardo soubessem do destino final do dinheiro, tudo em nome de Zuquim.

O caso apresenta lacunas a serem respondidas: o responsável pela criação do perfil falso no aplicativo, o autor das supostas ameaças ao motorista e o responsável pela ordem de entrega ainda não foram identificados. Os advogados afirmam que, mesmo após fornecer documentos sobre o suspeito à Polícia Civil, não houve avanço. Segundo apuração, as prisões ocorreram para dar “resposta rápida” ao episódio, enquanto o suposto golpista segue desconhecido.

Entre as diligências solicitadas estão: quebra de sigilo telefônico da linha usada no aplicativo de transporte, acesso integral às conversas e registros, além da perícia completa do celular apreendido no local onde Jackson estava detido, com a finalidade de demonstrar que o aparelho não era de sua propriedade.

Em audiência de instrução realizada nesta segunda-feira (24), foram ouvidos o desembargador José Zuquim Nogueira — vítima da suposta falsificação de identidade — e outras cinco testemunhas. A sessão foi registrada em mídia digital e acompanhada pelas partes. Continuação foi designada para dezembro.

O processo envolve Jackson, Laura e Eduardo, denunciados pelos crimes de associação criminosa (art. 288), falsidade ideológica (art. 299) e falsa identidade (art. 307), pela entrega do dinheiro vivo na sede do Tribunal (TJMT), em agosto. As defesas apresentaram respostas preliminares, com alegações de inépcia da denúncia e pedidos de liberdade. O Ministério Público se manifestou contra as teses e pediu o prosseguimento da instrução.

O juiz manteve as prisões preventivas e designou a audiência de continuação para 17 de dezembro, determinando prioridade no cumprimento das diligências por se tratar de réus presos.

Entre as ordens, o magistrado: determinou que o aplicativo InDrive envie, em 5 dias, cópia integral de todos os registros e mensagens vinculadas ao perfil falso que se passou pelo desembargador Zuquim; decretou a quebra do sigilo telefônico da linha atribuída ao cadastro utilizado no aplicativo; ordenou que a Polícia Civil envie o laudo pericial referente ao celular apreendido, ou informe a data prevista para conclusão.

Paralelamente a esse processo, Jackson está preso também por suspeita de intermediar o assassinato do advogado Renato Nery, ocorrido em julho. Ele responde pela suposta contratação do agente da Rotam Heron Teixeira e do caseiro Alex Roberto Queiroz para a execução, que teria sido encomendada pelos produtores rurais Cesar Sechi e Julinere Goulart Bentos, em disputa por terras.

Pelo caso Nery, Jackson pede transferência de Jackson para Rondonópolis ou Poxoréu, alegando agravamento de seu estado de saúde. Ele afirma ter perdido 10 quilos e apresenta quadro de depressão grave, síndrome do pânico e risco de autoextermínio, com laudo médico anexado. Ainda não houve uma decisão sobre isso.

O pedido também contesta a transferência anterior de Jackson para a Cadeia Pública de Chapada dos Guimarães, determinada após o Ministério Público relatar a apreensão de uma faca e um celular no local onde ele se encontrava detido. Argumenta ainda que outros militares réus permanecem em batalhões, que o aparelho apreendido não pertence a Jackson e que Chapada não é unidade militar.
 
No mesmo processo, pede acesso integral às provas digitais dos 39 aparelhos apreendidos, incluindo os da fazendeira Julinere. Alega cerceamento de defesa porque recebeu apenas relatórios sumarizados, sem acesso às mídias brutas, metadados ou registros completos.

Segundo os advogados, esse acesso é essencial para conferir informações mencionadas pela Polícia Civil, como supostas transferências de Julinere para Jackson, indicadas pelo delegado, mas que não teriam sido disponibilizadas nos autos.

A audiência de instrução e julgamento segue marcada para 17 de dezembro, quando novas testemunhas serão ouvidas. A defesa aguarda o cumprimento das diligências para definir sua estratégia.
Entre em nossa comunidade do WhatsApp e receba notícias em tempo real, clique aqui

Assine nossa conta no YouTube, clique aqui

Comentários no Facebook

Sitevip Internet