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Sexta-feira, 03 de abril de 2026

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EXECUÇÕES SUMÁRIAS NA BAIXADA

Presos por envolvimento no assassinato do advogado Renato Nery, militares também integram 'mercenários'

Foto: Reprodução

Presos por envolvimento no assassinato do advogado Renato Nery, militares também integram 'mercenários'
Dois policiais que foram alvos da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) por suposto envolvimento na execução do ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT), Renato Nery, também são réus por integrarem grupo de extermínio formado por militares que forjavam conflitos, "queimavam" provas, cooptavam vítimas e alteravam locais dos crimes em Cuiabá e Várzea Grande.


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Trata-se do 3° Sargento PM Leandro Cardoso e 3° Sargento PM Heron Teixeira Pena Vieira, que está foragido. 

Os agentes foram presos e prestaram depoimento na manhã desta quinta-feira (6) no âmbito da Operação Office Crime: a Outra Face. Além deles, foram detidos o soldado PM Wekcerlley Benevides de Oliveira e cabo PM Wailson Alessandro Medeiros Ramos.

Alex Roberto de Queiroz Silva, que é caseiro do policial militar que está foragido, também foi preso e encaminhado para a delegacia.

Nesta manhã, os policiais deflagraram a Operação Office Crime: a Outra Face para dar continuidade às investigações. Estão sendo cumpridos seis mandados de prisão temporária e dois de busca e apreensão, sendo que um deles foi cumprido na base da Rotam.

Renato foi assassinado no dia 5 de julho do ano passado, enquanto chegava ao escritório dele, na Avenida Fernando Correa da Costa. Ele foi atingido por pelo menos sete tiros, sendo que alguns atingiram a cabeça do advogado.

Desde então, a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) realiza buscas pelos suspeitos envolvidos no crime. Durante a investigação, foi confirmado que o ex-presidente da OAB-MT foi morto por envolvimento nos processos de disputa de terra.

Grupo de extermínio

Em junho do ano passado, o Ministério Público denunciou um grupo de 17 militares que supostamente integram este seleto grupo de “mercenários”.

 Conflitos forjados, emboscadas marcadas, alterações nos locais dos crimes, disparos excessivos, uso de um “batedor”, cooptação das vítimas e queima de arquivos oficiais, foram as evidências que o órgão acusador apontou ao denunciar os militares e um segurança particular por integrarem suposto grupo que promoveu execuções sumárias de diversas pessoas em Cuiabá e Várzea Grande travestidas de “confrontos” policiais.

Assinaram a denúncia os promotores Vinicius Gahyva, Samuel Frungilo, Marcelle Rodrigues da Costa e Faria e Jorge Damante Pereira. Acusação por homicídio qualificado foi recebida nesta pelo juiz Jorge Martins Ferreira, da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, onde tramita o processo.

Em análise aos Laudos Periciais de Locais das Ocorrências e dos Exames Necroscópicos das vítimas, o órgão ministerial percebeu que, em todos os casos, havia evidências de execuções sumárias, com várias discrepâncias constatadas nos conteúdos das narrativas dos respectivos boletins de ocorrência e registros oficiais.

As perícias, portanto, revelaram uma quantidade de disparos efetuados pelos policiais totalmente desproporcional com as situações de “conflito” sugeridas nos dados oficiais registrados pelos próprios milicianos. Em todos os casos, segundo a denúncia, a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) revelou que houve várias alterações nos locais dos crimes, que não foram preservados pelos policiais.

Outro que chamou a atenção das autoridades, é que sempre havia a figura de um “segurança/vigilante” (Ruiter), que passava informações de locais para assaltos fáceis e lucrativos, todavia no momento do deslocamento, os indivíduos cooptados eram interceptados e mortos por policiais militares, os quais comumente narram nos boletins de ocorrência que teriam recebido “informações anônimas” sobre o suposto assalto, motivo pelo qual planejaram uma “abordagem”, momento em que teriam entrado em “confronto” com os “criminosos”.

Neste ponto o Ministério Público revelou, então, que as “abordagens” e “emboscadas” eram marcadas, forjadas, organizadas, com escopo de dar aos militares do Bope, Rotam e Força Tática, a oportunidade de matarem pessoas que sequer conheciam, mas as quais julgavam merecer os respectivos assassinatos.

Outra evidência apontada pelo MPE foi o fato de que o grupo suprimiu diversas provas, inclusive no portal da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp), em que deletou arquivos do sistema de vídeo administrado pelo Centro Integrado de Operações da Segurança Pública (Ciosp), com nítido objetivo de comprometer o exame de imagens que poderiam mostrar a dinâmica de parte das execuções.

Ainda, denunciou o órgão que os integrantes do grupo passaram a ser transferidos para o interior por ordens dos superiores hierárquicos da corporação, em nítida intenção de obscurecer as provas periciais que a Politec examinava.

Com o recebimento da denúncia em junho passado, então, tornaram-se réus por homicídio qualificado Altamiro Lopes da Silva, Antonio Abreu Filho, Ariel Covatti, Diogo Fernandes da Conceição, Genivaldo Aires da Cruz, Heron Teixeira Pena vieira, Icaro Nathan Santos, Jairo Papa da Silva, Jonathan Carvalho de Santana, Jorge Rodrigo Martins, Leandro Cardoso, Marcos Antonio da Cruz, Thiago Satiro Albino, Tulio Aquino monteiro da Costa, Vitor Augusto Carvalho Martins, Wesley Silva de Oliveira, Paulo Cesar da Silva e o segurança Ruiter Candido da Silva.
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