A Justiça de Goiás acatou nesta terça-feira (9) denúncia do Ministério Público contra o ex-lateral esquerdo do Cuiabá Esporte Clube, Igor Cariús, e outros 15 investigados na operação Penalidade Máxima II. Ele é acusado de participação no esquema de manipulação de jogos nas Séries A e B do Brasileiro de 2022. Conforme as investigações, o jogador teria recebido oferta de R$ 65 mil para levar cartões amarelos em jogos contra o Ceará e Palmeiras.
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O advogado do lateral, Ademar Rigueira, entrou com uma "petição de reconsideração" para pedir novamente o arquivamento do caso. Cariús prestou depoimento cerca de uma semana após a busca e apreensão - na primeira fase da operação -, mas não chegou a falar sobre os prints trazidos na denúncia porque ainda não estavam incluídos nos autos. Desde o primeiro depoimento, o lateral-esquerdo nega todas as acusações.
Cariús não voltou a ser chamado para uma nova oitiva. Agora, com o recebimento da denúncia pela Justiça, um novo depoimento acontece apenas ao fim da instrução do processo. O último ato seria o interrogatório, explica o advogado.
Em entrevista ao GE, Rigueira disse que não teve acesso ao conteúdo dos áudios citados no processo. Ao mesmo tempo, confirma que há prints de conversas e responde sobre os R$ 5 mil citados pelo MP - como pagos a Cariús para receber um cartão amarelo diante do Ceará.
"Formalizamos uma impugnação à denúncia, até porque ela é extremamente frágil nas provas que foram trazidas. Apesar do Ministério Público trazer prints de conversas, em WhatsApp, e entre as pessoas envolvidas, ela não é uma perícia. Ela fala que essa provas foram fornecidas através da apreensão de alguns celulares, mas não foram fornecidas através de uma perícia oficial", disse.
Segundo o defensor, há uma presunção do Ministério Público que teria indícios da participação do ex-Cuiabá para recebimento de cartão amarelo. O Ministério Público, segundo ele, não forneceu com a denúncia a integralidade dessas provas para que a defesa pudesse analisar. "Então, essa prova é imprestável porque ela é uma prova produzida de forma unilateral. Não se tem o contexto de onde foi retirada aquelas conversas e não se pode concluir efetivamente de que Cariús tenha participado de uma a proposta para modificar o resultado dos jogos ou receber, segundo o Ministério Público, cartão amarelo".
Sobre o recebimento de R$ 5 mil para receber cartão amarelo contra o Ceará, o defensor explica que uma pessoa entrou em contato com a assessoria de Cariús para fazer uma divulgação de material esportivo e, por isso, o atleta presume que tenha sido dessa divulgação. Rigueira disse que não tem, por exemplo, a quebra do sigilo bancário.
"Para se chegar à conclusão de que os R$ 5 mil foi para ele receber o cartão amarelo, teria que ter a prova primeiro de que de fato ele recebeu. Isso me parece que só com a quebra do sigilo bancário poderia acontecer e pelo menos até hoje não tem nos autos. Tem o valor dos R$ 5 mil, lá se fala na possibilidade de Cariús receber um cartão amarelo no jogo, terceiras pessoas falando sobre isso, mas não tem prova nenhuma nos autos. É uma denúncia precária, precipitada a nosso ver", defendeu.
Abalado
Ainda de acordo com Rigueira, Cariús está abalado com as acusações. "Ele se diz inocente e isso abala demais, né? O nome dele que tá em jogo, Cariús tem família, tem filhos. Tem uma vida profissional por onde passou, exemplar, e isso claramente abala demais o jogador. Mas isso está sendo superado, está sendo trabalhado e espero que ele enfrente bem esse problema".
"O que nós estamos colocando sempre para ele é que ele continue a vida normal dele e a defesa vai ser efetivamente realizada por nós. Logicamente que ele tem que nos dar o subsídio, tem que nos dar justificativa para o que o Ministério Público está pondo, mas ele tem que ter a vida dele normal. Até porque isso não é um processo rápido, não é uma coisa imediata. Como eu disse, tem toda uma instrução aí pela frente, a produção de prova para se chegar efetivamente a uma conclusão de que ele participou ou não dessa organização", completou.
O advogado pontuou que a acusação contra o lateral traz um delito novo que veio com o estatuto do torcedor. É um tipo de corrupção privada, em que o próprio crime exige que o dinheiro, a concordância do jogador, seja para alterar o resultado da partida. O que não estaria explícito no tipo penal.
"Toda a acusação que está sendo feita de forma extremamente precária, eu repito, em relação a Cariús, é em virtude de ele ter aceitado receber cartão amarelo. Então me parece que essa conduta, na forma como está sendo imputada a Cariús, é atípica. Ela não tem justa causa porque o recebimento de cartão amarelo por si só não alteraria o resultado da partida, como é exigência do próprio delito", pontuou.