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Quinta-feira, 02 de abril de 2026

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DESVIO MILIONÁRIO DE EMENDAS

Casas no Florais Itália, imóvel na capital e moto de luxo: os bens bloqueados de Chico 2000 e empresário alvos da 'Gorjeta'

27 Jan 2026 - 17:48

Da Redação - Pedro Coutinho e Luis Vinícius

Foto: Reprodução

Na montagem, Chico e Chiroli

Na montagem, Chico e Chiroli

Casas e terrenos no Florais Itália, em Cuiabá, imóvel na capital, embarcação, uma motocicleta Harley-Davidson e um veículo Alfa Romeo: estes são os bens que o juiz Cássio Leite de Barros Netto bloqueou em nome do vereador Chico 2000 (sem partido), do empresário João Nery Chiroli, de sua esposa, e de servidores alvos da Operação “Gorjeta”, deflagrada nesta terça-feira (27), que apura um esquema milionário de desvio de dinheiro da Câmara Municipal de Cuiabá, supostamente liderado por Chico e Chiroli.


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Vereadores destinaram quase R$ 9,5 mi a instituto investigado; Chico 2000 enviou mais de R$ 3 mi para corridas de rua

Em nome de João Chiroli e sua esposa, Magali Chiroli, o juiz bloqueou uma Amarok, um Polo, um Fiesta e um terreno no Florais Itália. Em nome de Chico, uma Chevrolet Tracker e um imóvel no Jardim Paulista, capital. Chefe do gabinete de Chico, Rubens Vuolo Júnior teve um Alfa Romeo 1995, um barco, um reboque sequestrados; presidente do instituo usado para os desvios, Alex Jony Silva teve uma casa no Florais e uma moto Harley Davidson bloqueados.

De acordo com as investigações da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), o vereador Chico 2000 (PL) cobraria a “devolução” de emendas parlamentares após os recursos serem repassados a um instituto sem fins lucrativos e a empresas, entre elas a Chiroli Uniformes.

As investigações apuram a prática dos crimes de peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro, envolvendo o vereador, servidores públicos e Chiroli. Chico foi afastado cautelarmente por 60 dias.

As ordens judiciais foram expedidas pelo Juízo do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias de Cuiabá. Entre as medidas determinadas estão o cumprimento de 12 mandados de busca e apreensão e 12 ordens de acesso a dados armazenados em dispositivos móveis.
Nos últimos três anos, vereadores de Cuiabá destinaram quase R$ 9,5 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Brasil Central (IBRACE), entidade que se tornou alvo da Operação, sendo que Chico lidera a lista.
Entre os parlamentares, Chico 2000 (sem partido), afastado na deflagração da operação, foi o que mais encaminhou recursos à instituição. Entre 2023 e 2025, ele destinou R$ 3,65 milhões, todos voltados à realização de corridas de rua na Capital.

Em 2023, Chico 2000 encaminhou R$ 1,05 milhão, sendo R$ 600 mil para a Corrida do Bom Jesus de Cuiabá, R$ 350 mil para a 4ª Corrida do Legislativo e R$ 100 mil para a 1ª Corrida Solidária da Região Sul.

No ano seguinte, os repasses somaram R$ 1,6 milhão. Desse total, R$ 700 mil foram destinados à Corrida do Bom Jesus de Cuiabá e duas emendas de R$ 450 mil, cada, para a Corrida do Legislativo e para a Corrida de Rua Popular.

Já em 2025, Chico 2000 destinou R$ 400 mil para a 6ª Corrida do Legislativo e R$ 600 mil para a 36ª Corrida do Bom Jesus de Cuiabá.

Todas as emendas destinadas às corridas são investigadas na ofensiva desta terça, sobretudo porque foram organizadas pelo Ibrace, que por sua vez, transferiu a execução desses valores para a empresa Sem Limite Esporte e Eventos – Chiroli Esportes.

Em 2025, Chico 2000 entrou na mira da Polícia via duas operações: deflagrada em abril, a ‘Perfídia’ o acusa de ter dado aval para que o colega parlamentar, Sargento Joelson (PSB), negociasse mais de R$ 200 mil em propina com a HB20, construtora contratada pela capital para obras na cidade; já a ‘Rescaldo’, de junho, denuncia suposta compra de votos para beneficiar a eleição de Chico em 2024.
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