Assistente de acusação, P.A. protocolou pedido na Justiça visando designação urgente de nova data para exame de insanidade mental de José Clóvis Pezzin de Almeida em processo que ele responde por agredir a ex-companheira em 2022. O ‘empresário’ que ostenta extensa ficha de dívidas, garimpo, investigações por tráfico de drogas, “rachas” com carros de luxo, agressões, ameaças e prisões. Na solicitação, P.A. também requer a intimação direta de Marlon Pezzin, como ele é conhecido, no Ahmenon Lemos Dantas, presídio em Várzea Grande onde ele está detido desde o começo do mês, justamente por agressão contra mulher.
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O processo no qual o exame foi determinado apura agressão ocorrida em março de 2022, quando, segundo a denúncia do Ministério Público, o acusado teria agredido fisicamente a então companheira. A ação penal foi recebida em abril daquele ano e, ao longo da tramitação, a defesa passou a sustentar a inimputabilidade do réu, com base em laudos e receituários médicos que indicariam transtornos psiquiátricos.
No pedido, a assistente informa que o exame pericial já havia sido determinado pelo juízo, mas não foi realizado porque Pezzin deixou de comparecer às três datas anteriormente marcadas, apesar de ter sido intimado todas as vezes. Segundo a manifestação, as ausências inviabilizaram a produção da prova pericial e comprometeram o andamento da ação penal.
A defesa da vítima sustenta que, com a recente prisão de Pezzin justamente por agressão contra mulher, agora há localização precisa, o que permite a realização do exame. Pezzin está recolhido na Penitenciária Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande, em razão de mandado de prisão decretado em outro processo que apura descumprimento de medidas protetivas e nova acusação de violência doméstica.
Diante disso, P.A. solicitou que o juízo da 2ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Cuiabá marque nova data para o exame de insanidade mental, determine a expedição de mandado de intimação ao réu no presídio e oficie a direção da unidade prisional para garantir a apresentação do custodiado ao perito na data designada.
Ficha extensa
Marlon Pezzin reúne histórico de dívidas, garimpo, investigações por tráfico de drogas, “rachas” com carros de luxo, agressões, ameaças e prisões. Em maio, ele destruiu com um Volkswagen Touareg o deck do restaurante Haru, na Praça Popular, em Cuiabá, após ser convidado a se retirar, atropelando uma mulher; durante o episódio, o veículo foi atingido por disparos.
Conforme levantamento do Olhar Jurídico, ele responde a pelo menos 24 processos na primeira instância da Justiça de Mato Grosso, a maioria por dívidas, além de ações por agressões, tráfico e corridas ilegais. Em um dos casos de violência contra mulher há pedido de exame de sanidade mental. Em 2022, foi investigado por agredir a então namorada; a defesa sustenta inimputabilidade por supostos distúrbios psiquiátricos.
Em 2021, envolveu-se em confusão próxima a uma boate na Avenida Isaac Póvoas, onde teria agredido uma pessoa e efetuado um disparo antes de fugir. Em 2025, na boate Valley, agrediu o marido de uma aniversariante, fez ameaças, exibiu arma e perseguiu vítimas, caso encerrado com acordo e pagamento de R$ 8 mil.
No ano passado, foi preso em operação da Polícia Civil de Alagoas por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, com apreensão de R$ 15 mil, documentos e equipamentos. No mesmo período, dirigindo um Porsche 911 amarelo e supostamente disputando racha, causou grave acidente na Estrada da Guia que deixou o frentista Gabriel de Paula, de 20 anos, 15 dias em coma.
Na esfera cível, é cobrado por royalties de ouro não repassados, dívida atualizada para R$ 190.809,58, além de ações de cobrança que somam valores expressivos com empresas, bancos e advogado. Também responde a ação do condomínio Florais do Vale, que cobra R$ 20.853,62 em multas por festas com som acima do limite legal.