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Sexta-feira, 03 de abril de 2026

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TRIANGULAÇÃO COM ZAMPIERI

PF encontra no celular de lobista foto que sugere pagamento de R$ 1,2 milhão a filha de ministro do STJ

Foto: Reprodução

PF encontra no celular de lobista foto que sugere pagamento de R$ 1,2 milhão a filha de ministro do STJ
A Polícia Federal revelou possível pagamento irregular de R$ 1,2 milhão à Catarina Buzzi, filha do ministro Marco Buzzi, em uma fotografia mantida na galeria do celular de Andreson Oliveira Gonçalves, lobista de Mato Grosso acusado de ser peça central no esquema milionário de negociação de sentenças no Judiciário Nacional, encabeçado por ele junto ao advogado Roberto Zampieri, assassinado em 2023.  


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O Olhar Jurídico teve acesso ao relatório parcial de 400 páginas encaminhado no último dia 6 pela PF ao ministro Cristiano Zanin, relator no Supremo Tribunal Federal (STF), em que o delegado pede a ampliação das investigações e a manutenção das medidas impostas contra Andreson.

Documento foi anexado nas ações provenientes da Operação Sisamnes, desencadeada no ano passado para investigar suposto esquema de corrupção consistente na negociação de sentenças no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ), desvendado a partir de varredura feita no celular de Zampieri.

Andreson segue em prisão domiciliar em sua mansão situada em Primavera do Leste, onde vive com sua esposa, a advogada Mirian Gonçalves, também acusada de envolvimento no caso. No relatório, o delegado responsável pediu que Zanin mantenha as medidas cautelares impostas à Andreson e os demais, especialmente o afastamento dos servidores investigados, a fim de impedir a reativação do esquema e a utilização da estrutura estatal para fins criminosos.

No tópico que esmiuçou em detalhes sobre como Andreson e Zampieri supostamente lavavam o dinheiro obtido por meio da corrupção, a Polícia Federal revelou que um grupo empresarial de propriedade de dois empresários seria um dos núcleos econômicos para dar ar de legalidade nas fraudes.

A empresa, que alegava oferecer serviços de recuperação judicial, é acusada pelas investigações de, na verdade, usar litígios falsos e a obtenção de decisões judiciais estratégicas para justificar transferências de ativos e fugir de responsabilidades financeiras. Basicamente eles forjavam falências e recuperações judiciais em casos de grande valor para transacionar muito dinheiro, possivelmente obtido por meio das negociações no Judiciário.

O esquema envolvia, conforme o documento, estrutura de empresas satélites para fragmentar fluxos financeiros e ocultar a origem dos valores, sendo que Zampieri seria o intermediador dos interesses da empresa junto ao TJMT e o STJ, ao passo que ao lobista Andreson cabia a articulação direta nos gabinetes em Brasília, aproveitando-se do seu acesso privilegiado para manejar prazos, minutas e pautas processuais.

De acordo com o apurado pela PF, o grupo teria transacionado R$ 14,5 milhões na triangulação entre as contas do Grupo, Andreson e Zampieri. A influência da empresa e seus sócios tinha como objetivo garantir influência e a execução de interesses, lhes proporcionando espaço de privilégio em grandes eventos jurídicos e com autoridades.

Foi neste contexto que os agentes federais identificaram a interlocução de um empresário interessado com a filha do ministro Marco Buzzi, a advogada Catarina Buzzi. Ainda conforme a PF, dias após ela estabelecer contato com Zampieri, Andreson fotografou e manteve em sua galeria de imagens uma mensagem na qual o interlocutor afirmava ter transferido R$ 1.120.000,00 para conta bancária dela e de outra pessoa.

“Dr. Roberto! Tomei a liberdade de pedir seu número ao H. Agora está na agenda. Foi um prazer reencontrá-lo. Catarina Buzzi”, escreveu a advogada no fim da tarde de 7 de outubro de 2022. “Boa tarde Catarina. O prazer é todo meu. Obrigado”, respondeu Zampieri um minuto depois.

Ao O Globo, a defesa de Catarina manifestou que a tentativa de envolver seu nome no caso é maliciosa e descabida, e que ela nunca atuou em nenhum processo com o grupo e, que ela não se responsabiliza pela citação de seu nome, e que não é alvo de investigação no Supremo.

“Nesse contexto, os dados extraídos da nuvem de Andreson, além de confirmarem sua condição de articulador das manipulações judiciais, revelaram novos elementos de relevância probatória. Entre eles, destacam-se os contatos mantidos com servidores, chefes de gabinete e Magistrados, as tratativas financeiras e a concessão de empréstimos de aeronaves para uso particular de autoridades, bem como indícios de influência em indicações de Magistrados para cargos públicos. Diante desse quadro, a Polícia Federal considera imprescindível a manutenção das medidas cautelares, especialmente o afastamento dos servidores investigados, a fim de impedir a reativação do esquema e a utilização da estrutura estatal para fins criminosos”, concluiu o relatório.
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