Centenas de milhares em dívidas, atividade em garimpo, suposto envolvimento com tráfico de drogas, “rachas” com carrões, agressão contra mulheres e prisão: os detalhes da extensa ficha de José Clóvis Pezzin de Almeida, conhecido como Marlon Pezzin. Neste sábado (24), o “empresário” somou mais um episódio para o seu histórico: atropelou uma mulher e destruiu o deck de madeira do restaurante Haru, na Praça Popular, em Cuiabá.
Leia mais
Mãe de empresário que destruiu deck do Haru diz que carro foi baleado cinco vezes: "tentaram matar meu filho"; veja vídeo
O Olhar Jurídico apurou que existem pelo menos 24 processos abertos contra o “empresário” na primeira instância da Justiça de Mato Grosso, sendo grande parte por dívidas que ele contraiu com cooperativas de crédito e mineradoras, casos de agressão, inquéritos policiais por tráfico e corridas de carro. Existe ainda um pedido de teste de sanidade mental numa ação em que ele é réu por agredir uma mulher.
Em 2022, a polícia abriu uma investigação contra o homem para apurar a agressão contra a namorada dele. Na denúncia feita à época, a vítima de 32 anos teria sido agredida fisicamente pelo suspeito por volta de 2h da madrugada. José teria dado socos no rosto da mulher que teve vários ferimentos na face e braço. Para se livrar das responsabilidades deste processo, ele argumenta que seria inimputável por incapacidade de entendimento e autodeterminação.
Sua defesa alega que médicos e receituário de medicação de controle especial mostram que ele sofre de distúrbios psiquiátricos, e não se lembra do fato que lhe é imputado.
Em dezembro de 2021, José Clóvis se envolveu em uma confusão próximo a uma boate na Avenida Isaac Póvoas após importunar uma mulher.
Segundo relatos, uma testemunha que presenciou a cena chamou sua atenção e, em resposta, José agrediu a pessoa com um soco no rosto. Em seguida, ele teria se dirigido ao estacionamento e, de lá, efetuou um disparo em direção à vítima antes de fugir do local.
Já em 2025, na mesma boate, a Valley, ele agrediu o marido de uma aniversariante, a qual o convidou para a comemoração. Pezzin fez ameaças de morte a ambos, alegando que sua namorada teria sido tocada, o que foi negado pelas testemunhas.
Outros presentes confirmaram perseguição e agressão contra o carro de amigos que pensava serem eles, com novas ameaças e exibição de uma arma. Adicionalmente, o agressor procurou o marido em seu antigo endereço. A comunicante expressou temor por sua segurança e a de seu marido, citando o histórico problemático do agressor e, por isso, buscaram a polícia e a Justiça. Neste caso, ele firmou acordo com as vítimas e pagou R$ 8 mil.
No ano passado, ele foi preso em operação da Polícia Civil de Alagoas que mira em um esquema criminoso de tráfico de drogas em larga escala, além de lavagem de capital. De acordo com o delegado Wilson Cebuski, durante a prisão, Marllon não apresentou resistência. Na casa dele foram encontrados R$ 15 mil em espécie, que foram apreendidos, bem como documentos, computador e outros materiais. Ele segue respondendo esse processo.
Em 17 de janeiro do ano passado, Pezzin se envolveu em um acidente que deixou o frentista Gabriel de Paula, que na época tinha 20 anos, internado em estado grave após uma colisão na Estrada da Guia. No acidente, Pezzin conduzia um Porsche 911 amarelo e estaria disputando um racha quando bateu no Fox da vítima. Gabriel estava saindo do trabalho e ficou em coma durante 15 dias.
A mãe do frentista alegou que o empresário não prestou nenhum tipo de assistência ao filho, que passou por quatro cirurgias, sendo uma delas no cérebro. No boletim de ocorrência, Pezzin culpou o motorista do Fox pelo acidente e alegou que ele teria invadido a pista sem dar seta.
Pezzin é cobrado em Peixoto de Azevedo, pela cooperativa mista de garimpeiros da cidade, a qual lhe acionou cobrando royalties devidos pela extração de minério de ouro. A Cooperativa alega que Pezzin, que possui uma concessão para extrair o minério em sua propriedade, falhou em repassar 1% da produção mineral vendida, conforme estipulado em contrato.
O montante inicial devido era de R$ 154.737,66, mas com a atualização monetária, o valor subiu para R$ 190.809,58. Apesar de várias tentativas de resolução amigável por parte da credora, a situação não foi resolvida, levando à busca por ação judicial para reaver os valores devidos.
A Copemáquinas Comércio de Peças lhe cobra R$ 101 mil referente a um Contrato de Confissão de Dívida assinado em 2021. Em outra ação de cobrança, o advogado Rodrigo Cyrineu lhe cobra R$ 27 mil em honorários. Em 2023, a Unicred ajuizou duas ações monitórias contra Pezzin, uma cobrando R$ 35 mil e outra R$ 75 mil. Já o Sicoob União MT/MS cobra do seu CNPJ, R$ 55 mil referente a um empréstimo feito em 2020.
Na madrugada deste sábado (24), Pezzin se envolveu em mais um caso para somar na sua extensa ficha de processos. Na famosa “Praça Popular”, centro de Cuiabá, ele destruiu o deck de madeira do tradicional Haru, restaurante japonês. Antes disso, ele já havia sido convidado a se retirar do estabelecimento. Do lado de fora, ele usou o carro que dirigia, um Volkswagen Touareg, para colidir contra o espaço instalado em frente ao Haru. Neste momento, ele atropelou uma mulher e teve o carro alvejado por um homem que estava no restaurante.
Ao Olhar Direto, funcionários do local explicaram que Pezzin estava "transtornado" e consumia bebida alcóolica no restaurante antes de se envolver em uma briga no salão e ser convidado a se retirar. Depois de pagar a conta e deixar o estabelecimento, ele teria começado uma nova discussão na parte externa.
O prejuízo ainda não foi contabilizado pelo Haru, mas foi descrito como "imenso" por um dos funcionários e o deck ficará interditado nos próximos dias. No meio da confusão, muitos clientes se assustaram com a briga e saíram do local sem pagar a conta.
Enquanto dava ré para destruir o deck do restaurante, Pezzin atropelou uma mulher. Ele fugiu sem prestar socorro e ela foi levada à UPA. Os funcionários não sabem dizer se os dois estavam juntos.