Edgar Ricardo de Oliveira – réu por matar sete pessoas após um jogo de sinuca, em Sinop (500 km de Cuiabá) – fez duras críticas ao advogado e vereador eleito no município Marcos Vinícius Borges, conhecido como o “Advogado Ostentação”. De acordo com o acusado, o jurista não deu uma assistência jurídica satisfatória e ainda o acusou de ter usado a imagem do réu para benefício próprio.
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O réu foi preso no dia 23 de fevereiro de 2023, dois dias após a chacina ocorrida em uma bar. A prisão ocorreu após um acordo entre o advogado constituído por Edgar – Marcos Vinícius – e a Polícia Civil para que o réu pudesse se entregar.
Entretanto, durante sessão do tribunal do júri nesta terça-feira (15), Edgar, sem citar o nome do advogado, disse que não ficou satisfeito com a assistência jurídica.
“O meu defensor, praticamente, ele só apareceu aqui para falar comigo no dia da audiência de instrução. A única coisa que ele queria era divulgar o nome dele na mídia e todo mundo sabe. Eu consegui conversar com esse defensor público que entrou no caso depois de ele ter abandonado 15 dias antes do júri que teria que ter ocorrido”, disse Edgar durante o julgamento.
Marcos Vinícius ficou conhecido por divulgar uma vida de ostentação nas redes sociais. Além de publicar vídeos em carros de luxos e mansões, ele utilizou a publicidade para impulsionar a sua carreira política.
Em março do ano passado, o Advogado Ostentação levou um tiro no tórax disparado por um bandido dentro de seu escritório em março do ano passado, o que ajudou a lhe dar projeção nacional. Ele se filiou-se ao PSDB e decidiu lançar-se candidato. Neste domingo, com 1.261 votos, ele elegeu-se vereador em Sinop.
“O primeiro advogado do meu caso, veio aqui poucos dias antes da audiência de instrução e eu não tive acesso a ninguém, eu não consegui. Ninguém me representou em nada. Eu não fui assistido, eu não tive advogado. O meu advogado a única coisa que ele fez foi usar da minha imagem e do sofrimento de nove famílias. Isso ( os fatos) não trouxe sofrimento só para a família deles, não. Pra minha, os Ezequias também perdeu a vida dele. Ele também era um ser humano, independente do que aconteceu”.
"O advogado que era pra me represente, foi contra mim praticamente, porque ele não me deu chance de defesa. Ele mandou eu inventar dizendo que lá na hora o (Maciel) Bruno - uma das vítimas - falou supostamente sobre a gravidez da minha mulher. O Bruno não falou nada daquilo, tudo que ele falava era pro sugesta", criticou Edgar.
Outro lado
Como advogado e criminalista, reafirmo que todas as teses podem e devem ser consideradas na defesa de um cliente. A mudança na tese defensiva. como ocorreu no caso de Edgar, é uma prática comum e aceitável, dado que o direito à ampla defesa é um princípio fundamental do nosso sistema jurídico.O tribunal do júri, por sua natureza, permite essa flexibilidade, permitindo que todas as nuances do caso sejam exploradas em busca da verdade e da justiça.
No entanto, embora cu seja um defensor fervoroso dos direitos e garantias do acusado, não considerei viável que cle utilizasse um instrumento de defesa, que é o advogado, para justificar uma alteração de tese e explicar o motivo de não tê-la abordado anteriormente.
Nunca houve qualquer tipo de irregularidade na minha atuação como advogado. Pelo contrário, sempre atuei com o pleno aval do acusado, que me descreveu os fatos exatamente como foram abordados. Essa manobra não apenas desvia a responsabilidade, mas também distorce a verdade dos fatos, revelando uma tentativa clara de se eximir das suas proprias decisões.
Gostaria de esclarecer que a minha retirada da defesa ocorreu por motivos de foro intimo e foi uma decisão de minha própria iniciativa. É importante ressaltar que houve uma completa resistência por parte do acusado, que expressou seu desejo para que eu continuasse atuando em sua defesa. Essa situação foi cuidadosamente considerada, mas optei por seguir meu caminho por razões pessoais.
Atenciosamente. Dr. MARCOS VINICIUS BORGES