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Sexta-feira, 10 de abril de 2026

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PECULATO-DESVIO

TJ manda polícia investigar Cattani após assessora ser flagrada vendendo queijo da família com diárias públicas

Foto: Reprodução

TJ manda polícia investigar Cattani após assessora ser flagrada vendendo queijo da família com diárias públicas
O desembargador Marcos Machado, do Tribunal de Justiça (TJMT), autorizou a abertura de inquérito policial para investigar o deputado estadual Gilberto Cattani (PL), acusado de peculato-desvio e uso irregular de verbas, consistente na concessão de diárias de seu gabinete à uma assessora que teria usado os valores para vender os queijos da marca criada em homenagem a filha do parlamentar, Raquel Cattani, assassinada pelo ex-marido.


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Em ordem proferida nesta quinta-feira (9), Machado ressaltou a necessidade de colher provas robustas sobre os possíveis ilícitos, com depoimentos e documentos, como forma de garantir o direito à ampla defesa e o contraditório ao parlamentar.

Desta forma, o desembargador remeteu a acusação à Delegacia de Polícia Especializada em Crimes contra a Administração Pública da Capital para apuração dos fatos descritos pelo órgão do Ministério Público.

Conforme a acusação, a venda do produto teria ocorrido durante a Show Safra, ocorrida entre os dias 29 de março e 2 de abril. Apuração junto à Transparência da Assembleia Legislativa mostrou que Nathalia Jovelina Rogério dos Santos, assessora de Cattani, recebeu R$ 1.620,00 correspondente a 4,5 diárias para os dias 24 a 28 de março, com destino Lucas do Rio Verde, exatamente onde aconteceu a feira, cuja finalidade seria de “interesse institucional”.

Acontece que o próprio Cattani compartilhou em suas redes sociais vídeos em que a assessora aparece comercializando, ao lado da esposa do deputado, Sandra Cattani, os queijos da família em um stand do evento. Procurado, o deputado ainda não respondeu à reportagem.

Contudo, ele mesmo compartilhou em suas redes um conteúdo negando qualquer irregularidade com as diárias, sustentando “que a Assembleia Legislativa, pela primeira vez na história, colocou o estande dentro do Show Safra e o presidente Max pediu que eu cuidasse do estande da Assembleia, que eu ficasse responsável pelo estande da Assembleia [...] e assim que acabasse o Show Safra saíssemos em viagem, inclusive o que eu fiz desde sábado."

Apesar das justificativas, o promotor de Justiça Marcelo Caetano Vacchiano anotou que os vídeos que mostraram Natalia realizando a venda constituíram justa causa mínima para abertura de investigação sobre possível cometimento dos crimes de Peculato-Desvio (art. 312, caput, do Código Penal) e de Emprego Irregular de Verbas ou Rendas Públicas (art. 315 do Código Penal).

Para o promotor, as imagens sugerem a ocorrência de desvio de finalidade funcional, uma vez que Cattani, supostamente, teria usado o trabalho da servidora e recursos públicos (diárias) para fomentar atividade financeira particular.

“Requer-se, por conseguinte, o registro e a autuação do respectivo caderno investigatório, com o posterior encaminhamento dos autos à autoridade policial competente e a concessão do prazo de 120 (cento e vinte) dias para a adoção das diligências investigativas necessárias ao esclarecimento dos fatos e à eventual responsabilização penal dos envolvidos, inclusive para apurar se o parlamentar utilizou de estrutura pública (diárias etc.) para promoção de atividade de seu interesse privado”, nos termos do parecer ministerial.

Examinando o caso, o desembargador decidiu pela instauração do inquérito anotando que “a instauração do inquérito policial visa a colheita de elementos de convicção aptos a demonstrar a existência, ou não, dos crimes de peculato-desvio e emprego irregular de verbas ou rendas públicas, de modo que o procedimento investigatório mostra-se conveniente para realização de diligências [“interrogatórios, oitivas de testemunhas, acareações, requisições de documentos”] para “apurar se o parlamentar utilizou de estrutura pública (diárias etc.) para promoção de atividade de seu interesse privado”.
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