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Quinta-feira, 02 de abril de 2026

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OPERAÇÃO AGRO-FANTASMA

Produtor que sofreu golpe de R$ 70 milhões ameaça "cortar a cabeça" de empresários e juíza determina medida protetivas

Foto: Reprodução

Produtor que sofreu golpe de R$ 70 milhões ameaça
Um dia antes da deflagração da Operação Agro-Fantasma, nesta quarta-feira (4), mirando os empresários Pedro Henrique Cardoso, Mário Sérgio Assis e Sérgio Pereira Assis (Ex-deputado), acusados de aplicarem um golpe de R$ 70 milhões contra o produtor Silvano dos Santos, a juíza Maria Rosi de Meira Borba deferiu ao trio medidas protetivas contra as ameaças de morte feita por Silvano contra eles.


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Em áudios de WhatsApp, Silvano teria ameaçado cortar a cabeça de Pedro e dos demais, além de ameaçar contra a vida da filha do primeiro, uma criança de apenas 4 anos.

Diante das ameaças, o grupo procurou a Justiça e, examinando o caso, a juíza determinou a aplicação e medidas cautelares urgentes contra Silvano dos Santos para assegurar a proteção física e psicológica do trio.
Entre as medidas impostas, estão a proibição de Silvano em se aproximar do trio ou manter qualquer tipo de comunicação com elas. Em caso de descumprimento, Silvano poderá ser submetido ao monitoramento eletrônico por tornozeleira ou até mesmo ser mandado à prisão. As restrições valem por 90 dias.

Silvano teria os ameaçado após ser vítima do trio em um golpe de R$ 70 milhões, descortinado nesta quarta-feira (4) pela Operação Agro-Fantasma.  A empresa Imaculada Agronegócios Ltda., ligada aos empresários Pedro Henrique Cardoso, Mário Sérgio C. Assis e Sérgio Pereira Assis (ex-deputado) foi alvo da ofensiva nesta manhã, cujo objetivo foi desmantelar fraudes de compra de grãos na região oeste de Mato Grosso. Em um dos golpes, contra Silvano, ele teve que assumir mais de R$ 70 milhões em dívidas após ser ludibriada pelos suspeitos.

A Imaculada Agronegócios e os empresários Pedro Henrique Cardoso, Mário Sérgio C. Assis e Sérgio Pereira Assis foram denunciados na semana passada por um golpe que teriam aplicado em um produtor rural de Vila Bela da Santíssima Trindade.

No boletim de ocorrências a vítima relata que no ano de 2025, durante a colheita da soja, foi procurado por um corretor de grãos que se apresentou como representante das empresas Imaculada Agronegócios e Santa Felicidade Agro Indústria Ltda, vinculadas a Sérgio, Pedro Henrique e Mário Sérgio.

O produtor contou que desde o início das tratativas os envolvidos afirmavam que o grupo tinha robustez financeira e ampla capacidade operacional, assegurando que Sérgio responderia pessoalmente por eventual inadimplemento. Foram realizadas algumas operações menores de venda de soja, todas pagas regularmente, mas posteriormente os suspeitos procuraram a vítima solicitando que passasse a adquirir grãos de terceiros em seu próprio nome, sob promessa de quitação integral nas datas ajustadas.

Como já confiava no grupo, o produtor assumiu compromissos que ultrapassam R$ 70 milhões. Até novembro de 2025 os pagamentos ocorreram normalmente, mas a partir de dezembro os suspeitos pararam de pagar, deixando a vítima responsável pelas dívidas. Ele teve que vender parte significativa dos grãos por valores inferiores, ficando com o prejuízo.

O produtor procurou os suspeitos, mas eles passaram a apresentar justificativas evasivas e promessas de aportes financeiros que não se concretizaram. A vítima descobriu, depois, por meio de ex-funcionários, que o grupo não possuía lastro financeiro suficiente para honrar os compromissos assumidos e que a inadimplência seria recorrente.

O esquema apurado

Para aplicar os golpes, os donos da empresa convenciam as vítimas a utilizarem o nome de suas propriedades para fazerem compras a prazo de grãos, que eram revendidos à vista pela empresa para indústrias.

Os valores das compras a prazo seriam quitados pelo grupo. Porém, somente nos primeiros meses os débitos foram pagos corretamente. Após certo tempo, os investigados deixavam de quitar as dívidas contraídas, deixando o produtor rural no prejuízo.

Após adquirir a confiança de uma das vítimas, o grupo realizou diversas compras de grãos, causando inadimplência superior a R$ 58 milhões a ela.

O grupo ainda é suspeito de fraude fiscal e recebimento de créditos indevidos. Dentre os bens alvo de sequestro, está uma aeronave avaliada em mais de R$ 5,8 milhões.

O grupo mantinha uma vida de luxo, com casa em condomínio de alto padrão e uso de veículos importados de alto valor de mercado, como Porsche, Dodge Ram e outros que também são alvos de sequestro na operação.
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