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Quinta-feira, 02 de abril de 2026

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ALVO DA POLÍCIA

Socos na cara da ex, vizinho agredido e inadimplência em R$ 1,5 milhão: o histórico do empresário acusado de aplicar golpes em produtores rurais

Foto: Reprodução

Socos na cara da ex, vizinho agredido e inadimplência em R$ 1,5 milhão: o histórico do empresário acusado de aplicar golpes em produtores rurais
Tapas e socos contra a ex-companheira, agressão contra um vizinho, ameaça na tratativa de compra de um restaurante, dívidas e inadimplência em contratos de financiamento em mais de R$ 1,5 milhão: o Olhar Jurídico levantou os processos que o empresário Pedro Henrique Cardoso ostenta na Justiça de Mato Grosso entre 2019 e 2025. São pelo menos 12 ações contra ele, na maioria visando o recebimento de valores que ele teria contratado via empréstimos ou financiamentos, mas que não foram quitados.


Leia mais: Veja qual é a empresa acusada de envolvimento em golpes de mais de R$ 70 milhões em produtores rurais

Pedro foi alvo da Operação Agro-Fantasma nesta quarta-feira (4), quando a Polícia Civil realizou mandados de busca e apreensões contra ele e Mário Sérgio Assis e Sérgio Pereira Assis (Ex-deputado), ligados à empresa Imaculada Agronegócios Ltda. O grupo é acusado de ludibriar um produtor que foi lesado em R$ 70 milhões por meio de fraudes na compra de grãos. Em sua defesa, Pedro sustenta que eles foram ameaçados de morte por Silvano dos Santos, o empresário que teria assumido os setenta milhões.

Na mira da Justiça

O primeiro processo apurado pela reportagem refere-se a um pedido de medidas protetivas de 2019, feito pela sua então companheira, a qual relatou ter sido agredida fisicamente com tapas e socos, além de sofrer agressões verbais e ameaças de morte. No entanto, o caso foi encerrado após ela desistir de prosseguir com a ação alegando que a vida do casal estava tranquila.

Outro suposto incidente de violência ocorreu em 2023, envolvendo uma briga de condomínio motivada por som alto no apartamento de Pedro. Um vizinho relatou ter sido agredido com socos no rosto e empurrões ao tentar conversar sobre o barulho, afirmando que Pedro estava alcoolizado e se identificava como "filho de procurador"; este processo também foi encerrado por desistência da vítima.

No âmbito comercial e de ameaças, Pedro foi alvo de um boletim de ocorrência em 2023 devido a problemas na compra do Restaurante Kza. A comunicante alegou que ele lhe devia R$ 130.000,00 e que, ao tentar negociar a dívida com terceiros, foi ofendida e ameaçada. Esse conflito foi finalizado por meio de conciliação entre as partes.

Já a advogada R.M.M.M.C. moveu uma ação de locupletamento contra Pedro por 13 notas promissórias não pagas emitidas entre 2017 e 2018. A dívida original de R$ 6.500,00 foi atualizada para R$ 39.051,58 em 2026, com a autora alegando que ele ostentava luxo com um veículo BMW em Cuiabá enquanto evitava o pagamento. A Justiça ainda tenta realizar sua intimação.

Instituições financeiras também movem diversas ações contra Pedro por inadimplência em contratos de financiamento e empréstimos. O Banco C6 S.A. ingressou com busca e apreensão de um Fiat Uno Sporting devido ao não pagamento de parcelas desde junho de 2023, com o valor da causa chegando a R$ 61.861,53.

A Agência de Fomento do Estado de Mato Grosso (Desenvolve MT) executa uma dívida de R$ 274.167,57 contra Pedro e sua empresa Loggo Projetos e Negócios LTDA, buscando a penhora de bens como estruturas metálicas e equipamentos de iluminação.

Banco do Brasil, por sua vez, lhe cobra R$ 501 mil referente a uma cédula de crédito bancário garantida por uma caminhonete Hilux SW4 SRX 2023, estando o processo em fase de busca de endereços e bens.

Em relação a empréstimos pessoais e locações, uma médica o processou por dívidas que somam R$ 318.429,03, originadas de vários empréstimos não quitados desde 2021. Em fevereiro de 2026, as partes firmaram um acordo que aguarda homologação judicial. Ele se comprometeu a pagar diversas parcelas à médica.

No caso da Localiza Fleet S/A, Pedro foi condenado ao pagamento de R$ 45.472,21 por quebra de contrato de locação de um Honda HR-V. Embora a empresa tenha recuperado o veículo, as mensalidades atrasadas e as taxas de devolução antecipada geraram a condenação, que se encontra em fase de cumprimento de sentença.
Por fim, a cooperativa Sicredi Ouro Verde MT possui duas ações de busca e apreensão contra Pedro.

A primeira envolve um empréstimo de R$ 169.774,00 para a empresa Loggo Projetos, garantido por um veículo Stark 4WD; a dívida atualizada é de R$ 254.524,64 e o processo aguarda o pagamento de custas para novas buscas de bens.

A segunda ação diz respeito a um empréstimo pessoal de R$ 133.906,00 garantido por um Mercedes-Benz C 200 prata, cuja dívida alcançou R$ 190.102,00. O juiz deferiu a liminar para a apreensão do veículo, e o caso segue na fase de tentativa de recuperação do bem.

Agro-fantasma

A empresa Imaculada Agronegócios Ltda., ligada aos empresários Pedro Henrique Cardoso, Mário Sérgio C. Assis e Sérgio Pereira Assis (ex-deputado), foi alvo da Operação Agro-Fantasma, deflagrada na manhã desta quarta-feira (4) com o objetivo de cumprir ordens judiciais contra envolvidos em fraudes de compra de grãos na região oeste de Mato Grosso. Em um dos golpes a vítima assumiu mais de R$ 70 milhões em dívidas após ser ludibriada pelos suspeitos.

A Imaculada Agronegócios e os empresários Pedro Henrique Cardoso, Mário Sérgio C. Assis e Sérgio Pereira Assis foram denunciados na semana passada por um golpe que teriam aplicado em um produtor rural de Vila Bela da Santíssima Trindade.

No boletim de ocorrências a vítima relata que no ano de 2025, durante a colheita da soja, foi procurado por um corretor de grãos que se apresentou como representante das empresas Imaculada Agronegócios e Santa Felicidade Agro Indústria Ltda, vinculadas a Sérgio, Pedro Henrique e Mário Sérgio.

O produtor contou que desde o início das tratativas os envolvidos afirmavam que o grupo tinha robustez financeira e ampla capacidade operacional, assegurando que Sérgio responderia pessoalmente por eventual inadimplemento. Foram realizadas algumas operações menores de venda de soja, todas pagas regularmente, mas posteriormente os suspeitos procuraram a vítima solicitando que passasse a adquirir grãos de terceiros em seu próprio nome, sob promessa de quitação integral nas datas ajustadas.

Como já confiava no grupo, o produtor assumiu compromissos que ultrapassam R$ 70 milhões. Até novembro de 2025 os pagamentos ocorreram normalmente, mas a partir de dezembro os suspeitos pararam de pagar, deixando a vítima responsável pelas dívidas.

Para aplicar os golpes, os donos da empresa convenciam as vítimas a utilizarem o nome de suas propriedades para fazerem compras a prazo de grãos, que eram revendidos à vista pela empresa para indústrias.

Os valores das compras a prazo seriam quitados pelo grupo. Porém, somente nos primeiros meses os débitos foram pagos corretamente. Após certo tempo, os investigados deixavam de quitar as dívidas contraídas, deixando o produtor rural no prejuízo.

Após adquirir a confiança de uma das vítimas, o grupo realizou diversas compras de grãos, causando inadimplência superior a R$ 58 milhões a ela.

O grupo ainda é suspeito de fraude fiscal e recebimento de créditos indevidos. Dentre os bens alvo de sequestro, está uma aeronave avaliada em mais de R$ 5,8 milhões.

O grupo mantinha uma vida de luxo, com casa em condomínio de alto padrão e uso de veículos importados de alto valor de mercado, como Porsche, Dodge Ram e outros que também são alvos de sequestro na operação.
 

 
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