Detido em Cuiabá desde setembro por liderar esquema milionário de pirâmide financeira, o empresário Jonathan Rosa Vieira Bispo, principal alvo da operação Rede de Mentiras, que apura rombo de R$ 21 milhões, teve a prisão mantida por ordem do ministro Antonio Saldanha Palheiro, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que rejeitou habeas corpus em ordem proferida neste sábado (7).
Leia mais
Condenado por tentar matar adolescente, PM que executou a esposa em Cuiabá apresenta laudo de ginecologista para anular júri
Para pedir a liberdade, Jonathan anotou que a prisão é ilegal, uma vez que careceria de fundamentação concreta, além de desconsiderar circunstâncias pessoais como a condição de saúde do paciente (obesidade grave e hipertensão), bem como sua responsabilidade exclusiva pelo seu filho menor de 8 anos e pelos seus pais idosos. Tais pedidos já foram rechaçados pelo Tribunal de Justiça (TJMT) e, inconformado, ele apelou no Superior.
O ministro enfatizou, em consonância com os decididos anteriores, que a liberdade do acusado representa um risco à ordem pública, especialmente devido a indícios de que ele tentava reorganizar o esquema fraudulento sob novos formatos, mesmo após ter sido alvo de operações e ter respondido outra ação penal pelos mesmos fatos. A falta de comprovação documental, aliada a gravidade das condutas, levou Saldanha destacar pela necessidade da manutenção do cárcere para interromper o ciclo delitivo possivelmente comandado por Bispo.
Jonathan foi o principal alvo da Operação Rede de Mentiras, deflagrada em setembro. As investigações relatam prejuízos de clientes que investiram valores variados nas empresas de Bispo, a Metaverso Assessor de Investimentos Ltda. e a Metaverso Soluções Digitais Ltda., ambas já suspensas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Em março deste ano, o órgão emitiu alerta de que as companhias atuavam sem autorização legal, captando recursos de investidores e prometendo ganhos mensais de até 7%.
A ofensiva apura indícios de estelionato, lavagem de dinheiro, associação criminosa e crimes contra a economia popular. As investigações apontam que Bispo e seus sócios movimentaram milhões de reais por meio de transmissões no canal “Treta Trader”, no YouTube, e em redes sociais, atraindo vítimas em vários estados do país.
Segundo o MP, além de prometer lucros irreais, o grupo estimulava a entrada de novos investidores, prática típica de pirâmide financeira. Também foram registradas denúncias de ameaças a clientes que questionavam os atrasos nos pagamentos.