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Quinta-feira, 02 de abril de 2026

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TENTA EMPLACAR INIMPUTABILIDADE

Preso em VG por agredir ex, 'empresário' que destruiu o Haru é intimado e pede exame de sanidade dentro da cadeia

Foto: Reprodução

Preso em VG por agredir ex, 'empresário' que destruiu o Haru é intimado e pede exame de sanidade dentro da cadeia
Com extensa ficha criminal e respondendo diversos processos, o ‘empresário’ cuiabano José Clovis Pezzin, conhecido como Marlon Pezzin, pediu à Vara Especializada de Violência Contra a Mulher autorização para realizar exame de sanidade mental no presídio Ahamenon Lemos Dantas, em Várzea Grande, em ação que é réu por espancar uma ex-namorada em 2022, na capital. Pezzin está preso em VG desde dezembro justamente por ter ameaçado e descumprido medidas protetivas expedidas em favor de uma outra companheira.


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Em 2022, a polícia abriu uma investigação contra ele para apurar a agressão contra a namorada. Na denúncia feita à época, a vítima de 32 anos teria sido agredida fisicamente pelo suspeito por volta de 2h da madrugada. José teria dado socos no rosto da mulher que teve vários ferimentos na face e braço. Para se livrar das responsabilidades deste processo, ele argumenta que seria inimputável por incapacidade de entendimento e autodeterminação.

No último dia 19, após sucessivos adiamentos propositais, e de requerimento de uma vítima, o juiz Marcos Terêncio Agostinho Pires intimou Pezzin e deu prazo para que realize exame de sanidade mental junto ao Instituto Médico Legal – setor de psiquiatria, a fim de que seja averiguado se possui algum problema psiquiátrico decorrente do uso de drogas, conforme ele mesmo alegou ainda em 2022 na tentativa de evitar ser responsabilizado pelas agressões.  

Na ordem, o magistrado estipulou 45 dias para que Pezzin apresente laudo pericial respondendo os 11 quesitos elencados pelo Ministério Público, como se ostenta consequências psíquicas do uso de drogas se tem crises de abstinência, e se em 2022, na ocasião das agressões, ele possuía capacidade de entender o caráter ilícito. Em caso de descumprimento da ordem, ele poderá ser punido pelo crime de desobediência. O juiz ainda advertiu que Pezzin deverá estar acompanhado de um familiar ou de uma pessoa de seu convívio, em condições de informar sobre sua história de vida.

Um dia após a ordem de Marcos Terêncio, defesa de Pezzin informou que ele está preso preventivamente em Várzea Grande desde dezembro, justamente por novo caso de agressão contra a mulher, enquadrado na Lei Maria da Penha.

Mandado de prisão foi expedido pela 7ª Vara Criminal de Cuiabá e cumprido no dia 7 de dezembro. Na ocasião, o juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra tomou conhecimento que Pezzin descumpriu, reiteradamente, medida protetiva de urgência deferida em 26 de novembro em favor da vítima, o que demonstrou seu desprezo pela ordem judicial e colocou a ex-companheira em situação de risco contínuo.

Diante da atual situação de prisão, a defesa anotou que seria impossível o seu comparecimento ao Instituto Médico Legal (IML) para a realização do exame psiquiátrico determinado e, por isso, pediu que o teste seja feito nas dependências do presídio, e que oficie o IML para que envie o perito responsável ao Ahamenon.

Ainda nesta semana, o Olhar Jurídico noticiou que Marlon segue preso mesmo após o Ministério Público (MPE) pedir a revogação da sua prisão em um dos processos que ele é enquadrado por agredir mulher.

O MP solicitou a revogação dessa prisão específica (referente ao inquérito aberto no final do ano pelos descumprimentos) com objetivo de evitar nulidades futuras e riscos à integridade da vítima, pois ainda seriam necessárias diligências, mas Pezzin segue encarcerado por decretação em outra ação penal. Ambas apuram agressões cometidas por ele no contexto de violência doméstica.

Em ordem proferida anteriormente nesta semana, o juiz Marcos Terencio acatou o pedido ministerial e ordenou a continuidade das diligências do inquérito que tramita na Delegacia da Mulher por mais 30 dias. Enquanto isso, Pezzin segue detido em VG.

A reportagem obteve acesso em primeira mão às decisões que pesaram contra Pezzin, o qual é velho conhecido da Polícia e Justiça de Mato Grosso, já que ostenta diversos processos por centenas de milhares em dívidas, atividade irregular de garimpo, suposto envolvimento com tráfico de drogas, “rachas” com carrões, e outro caso de agressão contra mulheres.

O magistrado também considerou que o desrespeito às medidas, pouco dias após ser intimado, demonstra que Pezzin somente cumpriria as ordem judiciais se estiver preso, uma vez que as cautelares se mostraram insuficientes.

Histórico na Justiça

Centenas de milhares em dívidas, atividade em garimpo, suposto envolvimento com tráfico de drogas, “rachas” com carrões, agressão contra mulheres e prisão: os detalhes da extensa ficha de Pezzin. Em maio, o “empresário” somou mais um episódio para o seu histórico: atropelou uma mulher e destruiu o deck de madeira do restaurante Haru, na Praça Popular, em Cuiabá.

O Olhar Jurídico apurou que existem pelo menos 24 processos abertos contra ele na primeira instância da Justiça de Mato Grosso, sendo grande parte por dívidas que ele contraiu com cooperativas de crédito e mineradoras, casos de agressão, inquéritos policiais por tráfico e corridas de carro. 

Em 2022, a polícia abriu uma investigação contra ele para apurar a agressão contra a namorada. Na denúncia feita à época, a vítima de 32 anos teria sido agredida fisicamente pelo suspeito por volta de 2h da madrugada. José teria dado socos no rosto da mulher que teve vários ferimentos na face e braço. Para se livrar das responsabilidades deste processo, ele argumenta que seria inimputável por incapacidade de entendimento e autodeterminação. Sua defesa alega que médicos e receituário de medicação de controle especial mostram que ele sofre de distúrbios psiquiátricos, e não se lembra do fato que lhe é imputado.

Em dezembro de 2021, José Clóvis se envolveu em uma confusão próximo a uma boate na Avenida Isaac Póvoas após importunar uma mulher. Segundo relatos, uma testemunha que presenciou a cena chamou sua atenção e, em resposta, José agrediu a pessoa com um soco no rosto. Em seguida, ele teria se dirigido ao estacionamento e, de lá, efetuou um disparo em direção à vítima antes de fugir do local.

Em 2024, ele foi preso em uma operação da Polícia Civil de Alagoas voltada ao combate ao tráfico de drogas em larga escala e lavagem de dinheiro, enquanto no trânsito seu histórico inclui a prática de "rachas" que deixou uma vítima em estado grave e o recente episódio no restaurante Haru, em Cuiabá, onde destruiu o deck do estabelecimento com seu carro e atropelou uma mulher.

Financeiramente, o ‘empresário’ acumula dívidas de centenas de milhares de reais, que incluem royalties de mineração de ouro não repassados, empréstimos em diversas cooperativas de crédito, honorários advocatícios não pagos e multas condominiais por festas com som excessivo acima do limite legal.
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