O médico psiquiatra Lucas Eduardo França da Rocha Medrado Tavares, que foi detido na semana passada por acertar golpes de canivete em um homem, já foi preso em junho deste ano por desacatar e agredir policiais militares em um posto de combustível, em Cuiabá, onde teria iniciado uma confusão com as pessoas no local portando também um canivete. Sobre o episódio recente, Tavares afirmou ao
Olhar Direto que agiu em legítima defesa com a arma branca, a qual teria ganhado como presente horas antes.
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Conforme os documentos obtidos pela reportagem, era noite de domingo, 15 de junho, quando policiais militares foram acionados por populares para atenderem uma ocorrência no Posto Pump, onde Lucas foi encontrado em visível estado de embriaguez após iniciar uma confusão no local ao portar um canivete.
Durante a abordagem, ele manifestou agressividade e insultou os agentes: “eu sou médico psiquiatra; vocês não são nada; são uns bostas; todos covardes; vou ligar para um coronel e acabar com a carreira de vocês”, nos termos do boletim de ocorrência registrado pelos policiais que atenderem o caso.
A mãe do médico teve que ir até o local para tentar apaziguar a situação e fazer com que o filho voltasse para casa – o que não foi acatado por ele. Após novas tentativas de diálogo e acusações insultos, o suspeito resistiu fisicamente à prisão, e partiu para cima dos oficiais com uso de força e empurrões, necessitando de contenção tática.
Ele foi algemado e conduzido ao Cisc Verdão para registro, onde passou a bater com a própria cabeça na parede, sendo necessário mais uma intervenção. Diante disso, foi processado no Juizado Especial Criminal de Cuiabá por desacato.
Já na noite da sexta passada (21), Tavares foi preso mais uma vez, novamente portando um canivete, o qual usou para golpear um desafeto numa distribuidora no bairro Lixeira, capital. A polícia foi acionada e, ao chegar ao local, encontrou a vítima com um corte profundo no braço esquerdo e uma perfuração na região das costas.
Testemunhas relataram que o médico estava na distribuidora quando a vítima chegou ao local e começou a perturbá-lo. À reportagem, ele afirmou que agiu em legítima defesa por ter sido agredido com um soco no abdômen antes de revidar e atacar a vítima. A confusão teria sido motivada por uma invasão de privacidade por parte do suspeito, que teria pegado o cigarro do médico e dito que era seu.
Tavares, então, pegou um canivete, o qual ele afirma que havia ganhado horas antes, e utilizou a arma para tentar afastar o homem, sem intenção de matá-lo. Por isso, ele foi autuado por tentativa de homicídio. Passou por audiência de custódia e, por decisão da juíza Mônica Perri, foi colocado em liberdade provisória.