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Sexta-feira, 03 de abril de 2026

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assassino confesso

Assistente de acusação refuta defesa de réu por chacina de Sorriso: "vítimas se contorciam" durante estupro

Foto: Josi Dias/TJMT

Advogado Conrado Pavelski Neto mostra trecho do depoimento gravado do réu, realizado na delegacia, quando foi preso em flagrante

Advogado Conrado Pavelski Neto mostra trecho do depoimento gravado do réu, realizado na delegacia, quando foi preso em flagrante

Conrado Pavelski Neto, advogado e assistente de acusação, que representa Regivaldo Batista Cardoso, viúvo de Cleci Calvi Cardoso e suas três filhas executadas na chacina de Sorriso pelo réu confesso Gilberto Rodrigues dos Anjos declarou que "está tudo comprovado" e que a decisão sobre a condenação está nas mãos do juiz. Neto lembrou declarações do réu ainda na delegacia que reforçam a existência da prática de estupro. 


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A declaração foi feita durante a sessão plenária do tribunal, que ocorre nesta quinta-feira (7) em Sorriso. O réu acompanha o julgamento por videoconferência, diretamente da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, a 420 km de Sorriso.

O advogado ainda se dirige à família da vítima pedindo desculpas pelo que não foi possível fazer, mas destacando que se dedicou ao máximo.

O advogado afirma ser necessário rebater a questão do vilipêndio de cadáver levantada pela defesa. Segundo ele, na delegacia, o réu confessou que todas as vítimas “se contorciam” durante os estupros, o que seria a prova de que todas estavam vivas. Ele mostrou trecho do depoimento gravado do réu, realizado na delegacia, quando foi preso em flagrante.

O advogado ressalta que o réu estava totalmente consciente quando foi preso, ao pedir que fosse retirado do local do crime pois iria confessar na delegacia, e que, na delegacia, o policial Márcio proporcionou um ambiente mais tranquilo para que Gilberto pudesse prestar seu depoimento. Outro ponto destacado pelo assistente de acusação é a força do criminoso, que sequer tinha alguma marca deixada pelas vítimas que tentaram se defender de todas as formas.

Para o advogado, todos os crimes estão muito claros em relação aos feminicídios e que em relação ao estupro, contra Miliane, por exemplo, as provas também demonstram que houve pois a perícia apontou marcas de que a vítima tentou se desvencilhar do criminoso. O advogado Conrado Pavelski pede aos jurados a condenação máxima ao réu.

O promotor de justiça complementa a réplica da acusação. Ele reclama que inicialmente a defesa disse que sequer a denúncia dele era válida e que pediu inclusive o desaforamento, tentando impedir que a sociedade de Sorriso julgasse o caso, que aconteceu na cidade. Ele diz que pelo menos a defesa concordou com a maior parte da denúncia e argumenta que se a defesa concordasse com 100% da acusação, o juiz teria que desfazer o júri e suspender o caso para que outra defesa fosse chamada pois não é válido o processo em que a defesa não possui tese de defesa.

A acusação explica aos jurados que a defesa técnica jamais vai concordar integralmente com o Ministério Público, ainda que admita que o MP tem razão. “Eles não podem admitir isso pois o réu se torna indefeso e anula-se o processo”, ressalta. “A defesa técnica é um direito irrenunciável, tem que ter alguma discordância”, ressalta. O promotor reafirma que o vilipêndio de cadáver se dá quando o criminoso vai atrás de algum corpo já morto, em um cemitério, por exemplo. “Quem é que ele monitorava? A vida de quem? Os passos de quem? Aquele lar, aquela mulher, aquelas meninas”, diz.

A acusação refuta ainda a tese da defesa de que o interrogatório do réu na delegacia não tem validade. Segundo o promotor, tudo o que compõem os autos do processo tem validade para análise dos jurados. Segundo ele, Cleci, a última vítima a ser estuprada, estava sim viva quando foi violentada sexualmente. Prova disso seria a presença da faca em todos os momentos em que houve o crime contra a mãe de família.
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