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Sexta-feira, 03 de abril de 2026

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FEMINICÍDIO EM CUIABÁ

Advogada contesta insanidade de PM que assassinou a esposa e reforça risco que sua liberdade representa

Foto: Reprodução

Advogada contesta insanidade de PM que assassinou a esposa e reforça risco que sua liberdade representa
A advogada criminalista Larissa Leite, que representa a família da estudante Gabrieli Daniel de Moraes, de 31 anos, assassinada pelo marido Ricker Maximiano de Moraes, policial militar, contesta a alegação de insanidade mental apresentada pela defesa dele. A jurista classificou o argumento como inconsistente diante da conduta de Maximiano após o crime. “É muita sensatez para quem está em surto”, classificou a advogada em relação à conduta do PM logo após o assassinato.


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Segundo Larissa, o policial demonstrou pleno controle de suas ações ao fugir do local com os dois filhos menores do casal, deixar a arma do crime com os pais e se apresentar de forma voluntária, e fardado, ao batalhão da PM, cerca de seis horas após o assassinato. “É muita sensatez para quem está em surto”. “Ele ainda preferiu não falar muito à polícia para não se complicar na Justiça criminal”, acrescentou.

A entrevista foi concedida após a formalização de pedido de liberdade provisória com requerimento subsidiário de prisão domiciliar por parte da defesa de Maximiano, protocolado no Núcleo de Audiências de Custódia de Cuiabá pelo advogado Rodrigo Pouso.

Pouso argumenta que o policial sofre de transtorno depressivo recorrente e apresenta um quadro de instabilidade emocional, supostamente comprovado por prontuário psiquiátrico. O pedido foi negado pelo juiz plantonista Francisco Ney Gaíva, que destacou a periculosidade do réu, a gravidade do crime e o risco de reiteração criminosa.

Larissa Leite também reforçou a preocupação da família da vítima com a possibilidade de Ricker Maximiano vir a ser solto. Segundo a advogada, já houve ameaças anteriores à família de Gabrieli, inclusive no estado do Pará. “Esse homem fora da cadeia representa um risco real e concreto”, alertou.

Ela afirmou que a assistência de acusação atuará para garantir proteção à família, por meio do Ministério Público e da rede de enfrentamento à violência doméstica. A defensora informou que buscará apoio junto ao Ministério Público do Pará para garantir medidas de segurança também naquele estado.

A advogada destacou ainda que Ricker responde a outro processo por tentativa de homicídio, cujo julgamento ainda não ocorreu por conta da troca de defesa e do envolvimento no atual caso de feminicídio. “A atuação da acusação tem como objetivo garantir respaldo e proteção à família da vítima”, afirmou.

Larissa também criticou a estratégia da defesa ao sustentar uma suposta insanidade mental de alguém que estava regularmente armado, em serviço e reintegrado à corporação policial. “É uma afronta à própria instituição da Polícia Militar, que desenvolve um trabalho sério no enfrentamento à violência doméstica”, declarou. Para ela, a alegação não pode ser usada para comprometer a imagem de toda a corporação diante da conduta isolada do acusado.

O crime ocorreu em 25 de maio na residência do casal, no bairro Praeirinho, em Cuiabá. Gabrieli foi assassinada a tiros e encontrada sem vida por uma equipe médica. Após o crime, Ricker levou os filhos do casal e só mais tarde apresentou a arma usada ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Ele segue preso preventivamente por determinação judicial, sob a justificativa de que sua liberdade comprometeria a ordem pública e a segurança das vítimas e testemunhas.
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