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10kg de droga e milhares de reais

Sargento e caseiro presos por envolvimento na morte de Nery são alvos da PF por narcotráfico; confira

06 Mar 2025 - 17:12

Da Redação - Pedro Coutinho e Luis Vinícius

Foto: Reprodução

Sargento Heron

Sargento Heron

O sargento da polícia militar Heron Teixeira Pena Vieira e o seu caseiro, Alex Roberto de Queiroz Silva, alvos da polícia civil nesta quinta-feira (6) por envolvimento no assassinato do advogado Roberto Nery, também respondem ação da Polícia Federal no âmbito da Operação Camada, deflagrada contra o tráfico interestadual de drogas através das conhecidas “mulas”, pelo aeroporto da capital. Heron também é réu na “Simulacrum” desencadeada para combater grupo de extermínio formado por militares e seguranças que promoveu execuções sumárias na baixada cuiabana.


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Heron e Alex foram presos nesta manhã no âmbito da terceira fase da Operação Office Crime, que apura o homicídio do ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – MT, Nery, executado com sete tiros em julho do ano passado enquanto chegava em seu escritório, na Avenida Fernando Corrêa, capital.

Mas antes disso, ambos já eram conhecidos das autoridades policiais. Em 2023, quando da 2ª fase da Operação Camada, eles entraram na mira da PF por ter ligações estreitas com traficantes.

Representação assinada em 2023 pelo delegado federal Daniel dos Anjos Pereira, em que pediu a prisão preventiva e o sequestro de bens de Heron, aponta ainda que o militar teria recebido R$ 29 mil de traficante identificada como Ingrid Tatiele dos Santos, diluídos em onze transações.

Além disso, Heron também tinha em seu nome uma empresa fantasma de agência de viagens, inapta desde 2021 por omissão de declarações. Apesar de, até então, não constar passagens em seu nome, causou espanto ao delegado federal o fato de que o sargento recebia constantemente dinheiro da conta de Ingrid, interposta pessoa de Alice Fernanda, que também é acusada de tráfico.

Interceptações no celular de Alice, em 2021, demonstraram que Heron, ou “Dindi”, mantinha relacionamento com Ingrid e que ambos atuavam como um casal do tráfico juntamente com Alice.

Ainda das conversas, a PF identificou que Alice pediu para Ingrid analisar a situação do tráfico de 10 quilos de entorpecentes. Alice ainda solicitou que o militar realizasse pesquisas em bancos de dados da polícia a seu respeito.

“Logo após, INGRID informa a ALICE que HERON quer conversar (muito provavelmente por outro meio). Ainda no dia 05/11/2021, ALICE pede 10kg de drogas a HERON por meio de INGRID. No dia 06/11/2021, ALICE e INGRID conversam sobre comprar plástico e balões de festa. Este material é utilizado para embalar a droga e acondiciona-la em camadas junto ao corpo”, diz trecho da representação obtida pelo Olhar Jurídico.



Heron seria a pessoa que deu emprego de caseiro à Alex, que é apontado como o sujeito que alvejou Renato Nery. Na representação, Alex aparece como sendo o responsável por movimentar R$ 124 mil das contas em nome de Ingrid Tatiele.
 
“Não foi encontrado histórico criminal em seu nome, por outro lado, ALEX também não possui vínculos empregatícios desde 2015, razão pela qual não há aparente justificativa para o recebimento, sendo certo que não existe outro motivo além do tráfico de drogas para ter recebido este montante da conta de traficantes de drogas, sobretudo ALICE FERNANDA e INGRID TATIELE”, diz outro trecho do documento.

Informações apuradas pelo Olhar Direto apontam que o ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT), Renato Nery, foi executado a tiros por Alex.  A arma usada no crime foi encontrada nesta quinta-feira (6) durante uma operação deflagrada pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Alex seria caseiro de Heron.

Durante a operação Office Crimes: A outra face, quatro policiais militares foram encaminhados para a delegacia para prestarem depoimento. Na base do grupo de Rondas Ostensivas Tático Móvel (Rotam), foi cumprido um mandado de busca e apreensão.

A arma, que teria sido usada no crime, foi apreendida com um dos policiais militares. Agora, o armamento será encaminhado para um exame de balística para saber se é compatível com a mesma usada para matar Renato Nery.

A morte

Renato foi assassinado no dia 5 de julho do ano passado, enquanto chegava ao escritório dele, na avenida Fernando Correa da Costa. Ele foi atingido por pelo menos sete tiros, sendo que alguns atingiram a cabeça do advogado.

Desde então, a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) realiza buscas pelos suspeitos envolvidos no crime. Durante a investigação, foi confirmado que o ex-presidente da OAB-MT foi morto por envolvimento nos processos de disputa de terra.

Mercenários

Em junho do ano passado, o Ministério Público denunciou um grupo de 17 militares que supostamente integram este seleto grupo de “mercenários”.

 Conflitos forjados, emboscadas marcadas, alterações nos locais dos crimes, disparos excessivos, uso de um “batedor”, cooptação das vítimas e queima de arquivos oficiais, foram as evidências que o órgão acusador apontou ao denunciar os militares e um segurança particular por integrarem suposto grupo que promoveu execuções sumárias de diversas pessoas em Cuiabá e Várzea Grande travestidas de “confrontos” policiais.

Com o recebimento da denúncia em junho passado, então, tornaram-se réus por homicídio qualificado Altamiro Lopes da Silva, Antonio Abreu Filho, Ariel Covatti, Diogo Fernandes da Conceição, Genivaldo Aires da Cruz, Heron Teixeira Pena vieira, Icaro Nathan Santos, Jairo Papa da Silva, Jonathan Carvalho de Santana, Jorge Rodrigo Martins, Leandro Cardoso, Marcos Antonio da Cruz, Thiago Satiro Albino, Tulio Aquino monteiro da Costa, Vitor Augusto Carvalho Martins, Wesley Silva de Oliveira, Paulo Cesar da Silva e o segurança Ruiter Candido da Silva.
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