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Domingo, 05 de abril de 2026

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OPERAÇÃO EFIALTES

Juiz mantém a prisão de policiais e membros de grupo que roubava droga apreendida para vender a traficantes

Foto: Polícia Judiciária Civil

Juiz mantém a prisão de policiais e membros de grupo que roubava droga apreendida para vender a traficantes
O juiz Jean Garcia Bezerra de Férias, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, manteve a prisão preventiva em face de 31 alvos da Operação Efialtes, acusados de envolvimento em esquema de tráfico de drogas desmantelado pela Polícia Civil. O grupo, que estaria atuando desde 2015 no Cisc (1ª DP) e Delegacia de Fronteira de Cáceres, teria usado tijolo, gesso, isopor e areia para substituir cerca de uma tonelada de cloridrato de cocaína apreendida na fronteira de Mato Grosso com a Bolívia. A polícia descobriu a alteração do material durante uma incineração realizada em abril de 2022.


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 O magistrado anotou em sua decisão, publicada no diário de justiça desta terça-feira (4), que se organização criminosa é delito permanente, e se há indícios prementes de que o grupo ainda pode estar em plena atuação, manter a prisão preventiva dos membros identificados é a melhor solução. Além disso, que a segregação preventiva deve ser mantida enquanto perdurarem os pressupostos que a motivaram.

“Desta forma, em análise ao presente caso, tenho que os pressupostos e fundamentos que ensejaram a prisão preventiva dos acusados se encontram presentes, ante a existência da materialidade dos crimes imputados e veementes indícios de autoria”, anotou Jean.

O magistrado citou, inclusive, que a ordem pública ficou abalada diante da gravidade concreta dos delitos praticados pelos membros da organização criminosa, considerando a elevada quantidade de droga e o modo de atuação que contava com participação ativa de policiais civis e escrivão de polícia.

Também foi discorrido por Jean que o perigo da liberdade em face dos acusados se faz presente ante as práticas criminosas cometidas e, diante disso, não há possibilidade de se aplicar ao caso medidas cautelares alternativas à prisão.

A Corregedoria da Polícia Civil começou a investigar o caso em abril de 2022 quando policiais da Defron realizavam incineração de uma tonelada de droga e descobriram que alguns lacres haviam sido rompidos e parte do material substituído por tijolo, gesso, isopor e areia, por exemplo.

Na ocasião, a Perícia Técnica (Politec) esteve no local para fazer análise dos dados e dos lacres. Mas a presença dos peritos teria deixado alguns policiais desconfortáveis. Dois dos alvos da operação estariam entre os servidores que realizavam a incineração.

Segundo a investigação, os policiais vendiam o entorpecente a traficantes que usavam um dos mais antigos corredores do tráfico de cocaína: a Rota Caipira, no interior de São Paulo. As drogas foram enviadas para Uberlândia (MG), pela Rota Caipira, e para o Nordeste (Maranhão e Piauí), sendo utilizadas empresas para lavar o dinheiro nos estados de Tocantins (Palmas/Nova Rosalândia) e de Mato Grosso (Mirassol d’Oeste e Cáceres).

Foram identificados três grupos envolvidos no esquema: o primeiro dos policiais e de seus auxiliares, para a substituição e subtração das drogas apreendidas; segundo dos traficantes compradores e responsáveis pelos transportes e o terceiro o dos responsáveis pela lavagem de dinheiro, seja pelas empresas ou por laranjas.

Conforme a Polícia Civil, foram decretadas 102 ordens judiciais, sendo 39 mandados de prisão preventiva, 59 buscas e apreensões, quatro ordens de suspensão de atividades econômicas de empresas utilizadas para realizar a lavagem de dinheiro, além do bloqueio de valores no montante de R$ 25 milhões, sequestro de 14 veículos e quatro imóveis e o bloqueio de contas bancárias dos investigados.
 
As ordens judiciais foram cumpridas nos estados de Mato Grosso, Rondônia, Piauí, Maranhão, Tocantins e Goiás. A operação conta com a participação de mais de 300 policiais civis, sendo 270 da Polícia Civil de Mato Grosso e 30 dos outros estados.
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