Proprietário da Fazenda Procissão, em União do Sul, em onde ocorreu uma
chacina que culminou na morte 6 pessoas, Agenor Pelissa é um dos nomes que consta da lista de financiadores dos atos antidemocráticos que tiveram as contas bloqueadas e foram investigados pela Polícia Federal após decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, no último dia 15 de dezembro. Na referida lista está a ex-prefeita de Sinop, Rosana Martinelli, ex-candidatos e outros políticos.
Leia mais:
Investigações destacam influência de fazendeiro e que PMs deixaram cidade sem viatura para cometer chacina
Pelissa, produtor de soja do Nortão, acionou o comandante do Núcleo da PM de Santa Carmem (MT), o sargento Evandro Santos, e disse em abril de 2020, que recebera informação sobre um roubo de soja em sua fazenda. Pouco após a informação, seis homens desapareceram na Fazenda Procissão. No dia seguinte ao desaparecimento, a polícia encontrou na propriedade vários indícios de uma chacina, como roupas e celular ensanguentados e ao menos 18 cápsulas de armas de fogo.
Na denúncia oferecida pelo Ministério Público à justiça, consta que Agenor no dia 19 de abril de 2020 em sua propriedade, situada na Zona Rural do município de Uniaõ do Sul, ciente da ilicitude e reprovabilidade de sua conduta, de forma a corroborar com os envolvidos na chacina, “inovou artificiosamente o estado de lugar e coisas apreendidas, destinada a produzir efeito em futuro processo penal, com o fim de induzir a erro o juiz e perito, alterando a cena dos crimes de homicíídio (FATO I) e tentativa de homicíídio (FATO III)”.
Conforme o MPMT, as vítimas Francisco Barbosa Miranda, Nicolas Jordani Rodrigues, Weberson Correa da Silva, Francisco Wanderson de Lima, Francisco Diego Costa Lima, Eriel Machado Pires, Willian Douglas Mendes e Bruno da Silva Oliveira, junto à testemunha Francisco de Assis Fernandes dos Reis Filho, se associaram e planejaram subtrair, em abril de 2020, uma grande quantidade de soja que estava armazenada nos silos da Fazenda Promissão, localizada na zona rural do Município de União do Sul, de propriedade do acusado Agenor Vicente Pelissa.
Segundo a denúncia, o acusado Francisco Miranda trabalhava na fazenda e possuía conhecimento para realizar o carregamento da soja nos caminhões, enquanto a testemunha Francisco Filho exercia a função de vigia e seria o responsável para informar a rotina na propriedade.
Este último teria desistido e informado o patrão a respeito do crime planejado. Assim, Agenor Pelissa teria contratado o policial militar Evandro dos Santos, comandante do núcleo da Polícia Militar de Santa Carmem na época, para executar os crimes na Fazenda Promissão, que se associou aos outros dois policiais, João Paulo de Assunção e Roberto Carlos Cesaro.
Solto pela justiça em setembro de 2020, Agenor agora figura na lista de nomes que tiveram as contas bloqueadas, por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, pelo fato de ter financiado os atos antidemocráticos violentos que ocorrem no país.
A Polícia Federal na manhã do dia 15 uma operação contra apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) que participam e financiam atos antidemocráticos, como bloqueios de rodovias e protestos em quartéis. São cumpridas 81 ordens de busca e apreensão, sendo 20 em Mato Grosso.
Os nomes dos alvos não foram divulgados, mas agentes da PF cumpriram uma ordem de busca e apreensão contra uma advogada, no residencial Pico do Amor, bairro Dom Aquino, em Cuiabá.
A operação é uma determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e mira pessoas físicas e jurídicas identificadas pelas forças de segurança locais e federais.
Os mandados são cumpridos nos estados do Acre (9), Amazonas (2), Rondônia (1), Mato Grosso (20), Mato Grosso do Sul (17), Paraná (16) e Santa Catarina (15), além do Distrito Federal (1).
A Chacina
A Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), deflagrou nesta quinta-feira ( 27) a “Operação Insídia”, realizada no curso das investigações que apuram as circunstâncias do desaparecimento de seis pessoas no município de União do Sul, região norte de Mato Grosso. Entre os alvos estão um empresário, três PMs e um produtor rural.
Foram cumpridas diversas medidas cautelares de prisões e de buscas e apreensões em municípios da região norte do estado e em Tocantins. Até o momento, quatro pessoas foram presas, entre elas um empresário (que também é produtor rural) e três policiais militares da ativa.
As prisões temporárias foram decretadas pelo juízo da comarca local, com prazo de trinta dias, podendo ser prorrogadas por igual período.
As investigações apuram os fatos ocorridos no dia 18 de abril deste ano, em uma fazenda no município de União do Sul. Naquele local, foram encontrados diversos veículos com perfurações, estojos, munições, além de manchas de sangue e objetos pessoais, sem qualquer registro ou informação do que teria acontecido.
Após a realização de dezenas de diligências, perícias técnicas, buscas pelos corpos, oitivas de testemunhas e de pessoas envolvidas, as investigações apontaram para a execução de pelo menos seis pessoas, seguidas da ocultação dos respectivos cadáveres. Entre as vítimas está um funcionário da fazenda que trabalhava no local onde o fato ocorreu.
Além dos homicídios, são apurados outros possíveis crimes conexos, como cárcere privado, constituição de milícia privada, corrupção ativa e passiva.
As ações foram realizadas com apoio da Gerência de Operações Especiais (GOE), Corregedoria da Polícia Civil de Mato Grosso, Polícia Civil do Estado de Tocantins e Corregedoria da Polícia Militar de Mato Grosso.