A professora da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e presidente da Associação dos Docentes da Unemat (Adunemat), Luciene Neves Santos, protocolou pedido de explicações no Juizado Especial Criminal de Cuiabá contra o vereador Tenente Coronel Dias (Cidadania).
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A medida foi tomada após declarações do vereador nas redes sociais, nas quais ele questiona a conduta da docente e sugere possível uso indevido de recursos públicos.
A controvérsia teve início depois que Luciene publicou um vídeo em frente à sede da Polícia Federal, em Brasília, comemorando a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). As imagens, nas quais ela aparece estourando uma garrafa de champanhe, viralizaram e provocaram forte reação de apoiadores do ex-presidente.
Em publicação posterior, o vereador afirmou que a professora estaria em viagem custeada com dinheiro público, mencionando o pagamento de diárias para participação em congresso acadêmico, e a acusou de estar “fazendo show com pauta viral para tentar lacrar”.
No vídeo citado no pedido judicial, ele também declarou: “É por isso que a educação está como está. Você, professora? Foi aí para participar de reunião, não foi para fazer papagaiada”, além de sugerir a abertura de processo administrativo para apurar eventual irregularidade.
A ação destaca ainda o uso da expressão “jumento” ao final do vídeo, em referência a um conteúdo de terceiro compartilhado pelo parlamentar, com a frase: “não adianta você comemorar a prisão de alguém se quem te rouba está solto, jumento”. Segundo a defesa, embora o trecho tenha sido extraído de outro vídeo, a publicação teria sido direcionada à professora, configurando ofensa direta à sua dignidade.
No pedido de explicações, fundamentado no artigo 144 do Código Penal, Luciene solicita que o vereador esclareça se suas declarações imputam a ela a prática de crime, como desvio de verba pública, e qual o sentido das expressões utilizadas. A defesa sustenta que as falas podem configurar calúnia, difamação e injúria.
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