O Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPE-MT) apontou preços excessivos e elevados pagos por Sapezal para contratar show da cantora Ana Castela por R$ 900 mil, previsto para o dia 18 de setembro como parte das comemorações de aniversário da cidade. Nesta quarta-feira (3), o promotor de Justiça Leoni Carvalho Neto informou ao juízo da Vara Única que perito do órgão concluiu por superfaturamento em 27% cima da média do mercado. Por isso, recomendou a suspensão da apresentação da sertaneja.
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O promotor se manifestou na ação popular movida pelo advogado Paulo Marcel Grioste Barbosa, que aponta um possível superfaturamento de R$ 200 mil na contratação da artista, avaliado em quase R$ 1 milhão. A ação popular questiona a contratação por inexigibilidade de licitação (modalidade de contratação pública sem concorrência, permitida em casos específicos) com um cachê de R$ 950 mil sem o devido balizamento de preços (utilização de referências privadas atípicas e descontextualizadas).
Relatório técnico n.º 0867/2025, elaborado por perito contador do MPE, afirma de maneira categórica: “As notas fiscais n° 655-664 e 387 foram emitidas tendo como tomadoras do serviço empresas privadas, com preços excessivamente elevados quando comparados aos praticados no mercado pela própria empresa, conforme detalhado na figura n° 2, considerando que a empresa já possui histórico de prestação de serviços similares a entes públicos, o que permitiria uma comparação mais adequada para balizamento de preço.”
A título de comparação, na cidade de Cáceres, houve, há menos de um mês, a realização de show da mesma artista pelo valor de R$ 800.000,00, demonstrando ser desproporcional que Sapezal, portanto, pague quase R$ 1 milhão, sobretudo diante de demandas prioritárias de saúde, educação e infraestrutura, como salientado por manifestações populares juntadas aos autos.
O evento em questão, “Sapezal Rodeio Festival”, compreenderia três dias de apresentações, com os seguintes artistas, além de Castela: a dupla João Bosco & Vinícius e Carreiro & Capataz, sendo o custo total de R$ 1.6 milhão, sendo que o cachê da cantora representa cerca de 58,05% do valor global, o que reforça a desproporção da contratação.
Diante disso, o promotor se manifestou favorável ao pedido do advogado, para que o show de Castela seja suspenso, sem prejuízo às demais apresentações.