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Domingo, 05 de abril de 2026

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PRORPIEDADE DO EX-PREFEITO DE SORRISO

Soja a céu aberto e violações ambientais: relatório expõe controle do banco BTG sobre fábrica do Grupo Safras em Cuiabá

Foto: Reprodução

Soja a céu aberto e violações ambientais: relatório expõe controle do banco BTG sobre fábrica do Grupo Safras em Cuiabá
Durante a reintegração de posse da fábrica de processamento de soja, em Cuiabá, que está sob o controle do Grupo Safras, em favor da empresa Carbon Participações Ltda, ficou evidenciado que o local estaria sob controle do grupo financeiro BTG. A reintegração foi determinada pela 1ª Vara Cível de Cuiabá, mas foi suspensa pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, logo após o cumprimento do mandado.


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Ao chegarem ao local, os oficiais foram atendidos pelo gerente da unidade, Cleber Luiz Bedin, que reconheceu a ordem judicial e assinou o mandado de reintegração. Durante a conversa, ao ser questionado sobre quem detinha efetivamente a posse e conduzia a operação da unidade, Bedin afirmou: “Aqui tudo é BTG, a Safras tá quebrada”, expõe o documento e que foi confirmado através de notas fiscais apresentadas em favorecimento a Engelhart CTP (Brasil) S.A, empresa do grupo BTG.
 
Apesar da assinatura e aparente colaboração inicial, houve resistência por parte da empresa em permitir o acesso dos representantes legais e da equipe técnica da Carbon às instalações. A negativa persistente de acesso motivou a solicitação de apoio da Polícia Militar, que acompanhou a execução da ordem judicial.
 
Durante a vistoria técnica, realizada entre os dias 20 e 21 de março, foram constatadas diversas irregularidades ambientais e operacionais. O relatório aponta condições precárias de armazenamento de grãos e resíduos, descarte inadequado de rejeitos industriais, riscos sanitários com acúmulo de água estagnada e ausência de protocolos de higiene. Também foram observadas falhas graves na conservação de equipamentos e risco potencial à saúde pública devido à proliferação de vetores como mosquitos transmissores de dengue e zika vírus.
 
O laudo técnico contratado pela Carbon, evidenciou descumprimentos de normas ambientais e de segurança, como a falta de contenção para cinzas e resíduos, acúmulo de óleo no solo, e inexistência de tratamento adequado de efluentes líquidos. A fábrica apresentava volume significativo de soja e subprodutos expostos a céu aberto, sem proteção contra intempéries, e materiais descartados de maneira desordenada, o que compromete a segurança dos trabalhadores e o meio ambiente.
 
Em meio ao processo de reintegração, a defesa da Safras argumentou que o prazo de três dias para desocupação voluntária ainda estava em curso, tentando justificar o prosseguimento das operações e a entrada de novos caminhões. Contudo, os oficiais consultaram o juízo responsável, que esclareceu ser vedada qualquer atividade que inviabilizasse a execução da ordem judicial durante esse prazo.
 
No dia 22 de março, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso concedeu liminar suspendendo temporariamente a reintegração de posse. A suspensão foi comunicada oficialmente, encerrando as diligências e retirando os prepostos da Carbon do local.
 
O processo segue em trâmite, com base em uma execução de título extrajudicial ajuizada por Carbon Participações Ltda., e envolve diversas partes, inclusive empresas do setor agroindustrial e o próprio Estado de Mato Grosso. O desfecho dependerá da análise do mérito no recurso que tramita no Tribunal de Justiça.
 
Enquanto isso, a juíza Geovana Pasqual de Melo, da 4ª Vara Cível de Sinop, negou pedido de antecipação do período de blindagem, e ordenou que o Safras, conglomerado agroindustrial do ex-prefeito de Sorriso, Dilceu Rossato, que está prestes a entrar em recuperação judicial por dívidas de R$ 144 milhões, ingresse com pedido adequado do socorro judicial.
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